Jazz.pt review by Antonio Branco

CF 268Kris Davis – Capricorn Climber (CF 268)
Classificação: 4/5
A pianista e compositora Kris Davis (nascida em Vancouver e residente em Brooklyn) tem vindo a conquistar nos últimos anos um lugar entre o escol do jazz e da música improvisada de feição mais aventurosa do panorama nova-iorquino. Sexto disco na condição de líder (sétimo a ostentar o seu nome no catálogo da Clean Feed), “Capricorn Climber” consolida-a igualmente como um dos nomes de proa do selo lisboeta.   Depois do RIDD Quartet, do trio SKM, de dois discos com o seu trio Paradoxical Frog, de “Novela” de Tony Malaby (em que também assinou os arranjos) e do excelente registo a solo, “Aeriol Piano”, Davis apresenta o primeiro disco do seu quinteto, no qual surge acompanhada por improvisadores de primeira água, com quem estabelece empáticas relações: a saxofonista Ingrid Laubrock e o baterista Tom Rainey (habituais colaboradores próximos) e ainda pelo violetista Mat Maneri e pelo contrabaixista Trevor Dunn.   Após uma saudada apresentação em regime de improvisação total no Barbès, clube de Brooklyn, Davis inspirou-se para escrever música para esta formação. Em “Capricorn Climber” volta a exibir os traços fundamentais que caracterizam a sua escrita, aliando distintamente uma capacidade de interligar elementos que vão da tradição do jazz a técnicas vanguardistas.   A sua abordagem geométrica assenta numa rigorosa gestão do espaço e das várias camadas sónicas, das tensões e dos contrastes, dos timbres e das intensidades. De facto, muitas das composições afiguram-se-nos como se de peças improvisadas se tratasse, o que confere à música que aqui se escuta uma frescura e uma espontaneidade notáveis, potenciadas pelo elevado nível das interações (as entre Maneri e Laubrock, em uníssono ou confronto, são particularmente relevantes).   A maioria das peças incluídas remete-nos para ambiências tranquilas e de grande contenção instrumental, à maneira de um certo jazz de recorte camerístico. Mesmo quando os músicos se afastam dessa postura (o que até acontece amiúde), há sempre a intenção de a ela voltar, qual porto de abrigo a que se almeja regressar depois da tormenta.   Nota de realce para “Trevor´s Luffa Complex”, introduzida pelo próprio e com um incandescente solo de Laubrock, “Pass the Magic Hat”, peça que contém algumas das referências mais enquadradas no cânone jazzístico, e para esse verdadeiro “tour-de-force” que é a peça título, com a sua inicial atmosfera soturna (graças à líder e a Maneri) e o desenvolvimento em crescendo.   “Capricorn Climber” é uma nova roda dentada numa engrenagem que marca decisivamente o jazz mais exigente dos dias que correm.
http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2013/04/23/kris-davis-capricorn-climber-clean-feed/

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