Jazz.pt review by António Branco

CF 270Ches Smith and These Arches: “Hammered” (CF 270)
Rating: 5/5
Quase três anos depois de um altamente estimulante “Finally Out of My Hands”, na Skirl Records, o baterista Ches Smith volta a reunir o seu projeto These Arches para um disco arrasador.   E isso em grande medida se fica a dever ao alargamento da formação de quarteto para quinteto, com a entrada de um peso pesado do jazz do nosso tempo: Tim Berne. Tudo por uma feliz conjugação de circunstâncias: devido a um conflito de agendas, Tony Malaby viu-se perante a impossibilidade de seguir em digressão com a formação. Para o seu lugar entrou Berne. Com Malaby de novo livre, Smith decidiu adaptar a música ao facto de ter dois sopros (e que sopros!) disponíveis.

No barco mantiveram-se a guitarrista Mary Halvorson e a acordeonista e manipuladora de eletrónica Andrea Parkins. Não só o leque sonoro se abriu com a entrada do saxofonista alto como a própria escrita de Smith evoluiu com base nessa premissa, revelando uma vertente mais contrapontística e a tirar maior partido do xadrez instrumental.   Em “Hammered” – por si só o título quer dizer muita coisa – Smith continua a explorar terreno que lhe tem sido fértil (Good for Cows, Congs for Brums, Secret Chiefs 3, Xiu Xiu): o do cruzamento criativo de elementos provenientes do jazz, da música improvisada e do rock de cariz mais experimental.

Muitas destas peças foram escritas para banda de rock, mas beneficiam claramente por estarem a ser tocadas por este notável grupo de mestres improvisadores. Energia, liberdade e urgência são ingredientes essenciais neste “cocktail” explosivo. Ainda que as rampas de lançamento estejam estruturadas, é evidente o ênfase colocado na improvisação coletiva, o que, com esta mão de obra, faz todo o sentido.

Baterista de largo espetro, Smith sabe ser o fogueiro que alimenta a fornalha para garantir a adequada propulsão, mas também o joalheiro dos finos detalhes. “Frisner” (referência ao baterista haitiano Frisner Augustin, antigo professor de Smith e falecido inesperadamente no início do ano passado) abre as hostilidades em alta rotação e dá o mote para o que vem depois. Impertinência rítmica, sopros em delicioso mano a mano, guitarra e eletrónica pontuando com inteligência esta dança garrida.

Na mesma linha vigorosa segue-se “Wilson Phillip”, homenagem a outro baterista, Phillip Wilson. Escrita para os Ceramic Dog de Marc Ribot, “Dead Battery” acentua as contribuições de Halvorson e Parkins, que se aliam à frente de sopros numa vertigem febril.

Na peça título todos os instrumentos se fundem numa massa caleidoscópica que recircula. Em contraste, “Limitations” é uma miniatura quase sussurrada e de “Learned from Jamie Stewart” (piscar de olho ao vocalista dos Xiu Xiu) brota um bem vindo “groove”. “This Might Be a Fade Out” fecha a refrega numa alternância entre caos e ordem, sobrevindo esta.

“Hammered” não deixa pedra sobre pedra. Excelente.
http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2013/05/01/ches-smith-and-these-arches-hammered-clean-feed/

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