Daily Archives: January 28, 2009

All About Jazz review by Troy Collins

cf-131Steve Adams Trio – Surface Tension (CF 131)
Steve Adams is best-known as a long-term member of the San Francisco Bay Area-based Rova saxophone quartet. Over the past three decades Rova has become a highly respected institution, courtesy of an impressive range of collaborative projects, from work with the Kronos Quartet and pianist Satoko Fujii to multi-media efforts like “Glass Head.”

Membership in an intensely focused partnership like Rova has obvious benefits, and while Adams’ two decade long tenure with the group has yielded incredible opportunities, it has also limited his solo output. Other than a few duo recordings with contrabassist Ken Filiano and multi-instrumentalist Vinny Golia, his own discography has been relatively sparse. Surface Tension, then, is a welcome glimpse into Adams’ personal aesthetic.

Adams is joined by Filiano and drummer Scott Amendola on this rare trio recording—a varied studio set that veers from the austere to the coruscating. Like-minded peers in the adventurous West Coast scene, Filiano and Amendola reveal a deep-seated rapport with Adams that lends a conversational air to their interactions. Whether navigating freely improvised or fully notated compositions, their congenial interplay sounds inspired and effortless.

Alternating horns throughout the session, Adams unveils a range of sonorities and timbres culled from a variety of woodwinds, from sopranino saxophone to bass flute. Each instrument is used to excellent effect in contrasting contexts, weaving a diverse and texturally rich mosaic of sound.

His bold baritone saxophone cuts a deep swath through Filiano and Amendola’s pneumatic downbeats on “The Another Form in Time Voice” and “Equilibria,” ratcheting up the energy level with brash, muscular flurries. Filiano exceeds his requisite role as timekeeper and harmonic anchor, plying sinuous arco glissandi on “Upper and Lower Partials,” and unleashing a percolating salvo of ebullient pizzicato on “Squeamish” and “Squelch.” Amendola’s crisp rhythms and steady cymbal accents keep the trio focused, whether navigating the oblique contours of “Equilibria” or shading the atmospheric “Little Ballad” with gossamer washes.

Adams’ introspective side is revealed on the bass flute driven numbers “Upper and Lower Partials,” “Little Ballad” and the spectral title track. Unfurling at a glacial pace, these meditative Asiatic tone poems brim with hushed tones, resonant bass harmonics and scintillating cymbal accents. The album is not limited to this dynamic chiaroscuro however. “Squeamish” is a funky, abstract post-bop vehicle for Adams’ soulful tenor and “Squelch” is a conventional swinger replete with traditional chord changes. Alternating between sopranino and baritone, Adams elicits a squall of dissonant multiphonics and expressive cries on “Cacophony (for Vinny Golia),” ending the album with a churning vortex of blistering energy in tribute to the legendary West Coast scene leader.

Surface Tension is a rarified view into the mind of one of the West Coast’s most admired ensemble members. Considering Adams’ limited discography outside of Rova, makes this session all the more valuable.
http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=31713

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

cf-1061Michael Dessen – Between Shadow and Space (CF 106)
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Neste trio, Michael Dessen (trombone e computador) é líder e compositor, mas quem brilha é Christopher Tordini (contrabaixo) e Tyshawn Sorey (bateria). As peças estruturadas alternam com atmosferas esparsas e exploração de texturas – e se nestas Sorey se revela um percussionista abracadabrante, as peças não conseguem ser mais do que um intermezzo. O espectáculo está antes em “Restless Years”, com um contrabaixo obsessivo à volta do qual a bateria tece intrincada teia, ou em “Anthesis”, que abre com um soberbo solo de Tordini, que, com a ajuda de Sorey se transforma num groove sinuoso. O trio ganharia se Dessen passasse mais tempo a soprar do que a produzir borborigmos digitais – embora a névoa sonora que fecha o CD tenha algum encanto.

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

cf-1044Jason Stein A Calculus of Loss (CF 104)
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O mais próximo que este disco oferece de uma pulsação regular é um groove de blues manco em “Miss Izzy”. Nos restantes temas o percussionista Mike Pride está claramente mais interessado em explorar texturas e atmosferas – o que faz com grande sensibilidade e sentido de oportunidade. O facto de no lugar usualmente reservado ao contrabaixo estar um violoncelo – a cargo de Ken Davis – não contribui para a ortodoxia rítmica nem para uma pulsação robusta. Jason Stein começou por ser guitarrista de rock e blues e só quando ouviu Eric Dolphy percebeu que o seu destino estava no clarinete baixo. Claro que tendo sido empurrado para o clarinete por Mestre Dolphy a sua abordagem ao instrumento não é nada convencional. Em “Miss Izzy” Stein extrai dele um grito lancinante e estrangulado que deixará estarrecido quem do clarinete só conheça a faceta Benny Goodman. “167th St. Ellen” soa como uma família desavinda, com o violoncelo, usualmente associado a sonoridades calorosas, a uivar como um possesso. Já “Caroline and Sam” é pura evanescência, o que dá ideia da amplitude emocional que este trio consege explorar.
Jason Stein, que é talvez mais conhecido pela participação no grupo Bridge 61, um dos muitos projectos do workoholic Ken Vandermark, baptizou este seu grupo como Locksmith Isidore, em homenagem ao seu avô Isidore Stein, um serralheiro nova-iorquino que tinha o hábito de guardar o dinheiro dentro de um sofá. O Calculus of Loss do título não está relacionado com a crise financeira do crédito subprime, mas terá a ver com a contabilidade feita por Isidore ao que perdia por ter o dinheiro no sofá em vez de estar a render no banco. Já o preço a pagar por este CD de conteúdo insólito e desafiador está longe de se poder contabilizar como perda.

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

cf1051Luís Lopes Humanization 4tet (CF 105)
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Até 31 de Dezembro pode acontecer muita coisa, mas nada impedirá a estreia do Humanization 4tet de ser um dos discos do ano, no que ao jazz português diz respeito. Ainda que o mérito não seja exclusivamente português, já que a guitarra de Luís Lopes e o saxofone tenor de Rodrigo Amado têm a companhia do contrabaixo de Aaron González e da bateria de Stefan González, ambos norte-americanos. Os dois González são filhos do ilustre trompetista Dennis González, cuja carreira recente tem vindo a ser amplamente documentada pela Clean Feed, e possuem uma experiência musical eclética, que inclui passagem pelo punk. As suas múltiplas influências fundem-se numa secção rítmica que alia o músculo do rock à flexibilidade do jazz. A abertura de horizontes é também característica de Rodrigo Amado e Luís Lopes. O primeiro tanta navega sem mapa na improvisação livre – nomeadamente com os Lisbon Improvisation Players – como se aventura no hip hop mutante dos Rocky Marsiano. Quanto ao líder, não é guitarrista para jurar apenas por Wes Montgomery e é admirador confesso de Jimi Hendrix e Jimmy Page.

Da confluência destas quatro mentes nasceu uma música tensa, angustiada e de cores sombrias, que evoca, nos trechos de groove regular, o mundo sonoro dessa obra-prima negligenciada que é Pariah’s Pariah, de Gary Thomas. Embora seja autor de todos os temas, Luís Lopes reserva para si mesmo um papel discreto, deixando o primeiro plano aos seus parceiros, sobretudo a Rodrigo Amado, que surge em grande forma.

O tema de abertura, “Cristadingo”, possui um ímpeto avassalador e poucos terão coragem de interromper o fluxo sonoro antes do final de “4 Small Steps”, o tema de fecho. E muitos anotarão o nome de Luís Lopes na lista dos nomes a vigiar de perto.

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

cf-1021Scott Fields Freetet Bitter Love Songs (CF 102)
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Há uns tempos um artigo de opinião no Público verberava (injustamente) a banalidade dos nomes dos temas de jazz, quando confrontada com a inventividade do mundo do rock. O seu autor deveria ser encaminhado para o presente CD do guitarrista norte-americano Scott Fields, que inclui títulos como “Go Ahead, Take The Furniture, At Last You Helped Pick It Out” ou “Yeah, Sure, We Can Still Be Friends, Whatever”. Os títulos são todo um programa mas, nas notas que acompanham o disco Fields vai mais longe e dá a entender que não só é amargo como rancoroso.
A música deste disco de estreia do Freetet é menos vitriólica do que as palavras levariam a supor e tem uma forte componente de improviso. Fields prescinde dos pedais e parafernália com que habitualmente se faz acompanhar e liga a guitarra directamente ao amplificador. O seu propósito, diz, é “criar um universo sonoro monocromático”. O objectivo foi atingido, pois o ouvinte menos atento pode chegar a meio do disco com a sensação de a faixa 1 se ter estendido por 30 minutos. A monotonia quebra-se na segunda metade: em “Your Parents Must Be Just Ecstatic Now” passa-se das recriminações azedas à louça partida, “I Was Good Enough For You Until Your Friends Butted In” marina em melancolia avinagrada e “You Used to Say I Love You But So What Now” fecha em beleza esta meia dúzia de canções de amor confitadas em bílis. Apesar do mau feitio, Fields tem a cumplicidade de um duo rítmico buliçoso, fracturado e conspirativo, com o contrabaixista alemão Sebastian Gramss e o baterista português João Lobo, que passou num ápice do estatuto de “jovem promessa” ao de “valor seguro”.

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

cf-1031The Empty Cage Quartet – Stratostrophic (CF 103)
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O nome deste quarteto de Los Angeles é enganador, pois a gaiola está longe de estar vazia. Lá dentro esvoaçam ideias variadas e originais, algumas bem esdrúxulas. Há um pouco de tudo: há um tema que se alonga por 17’24 mas também um que se consome em 0’24, momentos de liberdade sem peias e de cuidadoso entrosamento, de sarcasmo e de melancolia, de frenesim e introspecção. “Old ladies” é um bebop alucinado que leva a crer que as velhas senhoras não se limitam a comer scones e tomar chá de camomila, “Steps of the Ordinarily Unordinary” uma marcha entre o jocoso e a solenidade fingida, “Aurobindo” uma elegia subaquática. “Again a Gun Again a Gun Again a Gun” é uma fanfarra engasgada que nunca chega a acordo com uma bateria hiperactiva. “We are all tomorrow’s food” começa com sopros e contrabaixo meditativos mas a agitação desusada e incansável da bateria acaba por contagiar os outros instrumentos e levar mesmo o clarinete ao paroxismo.
O que salta aos ouvidos nesta mini-Babel sonora é o trabalho de conjunto – não há aqui lugar para heróis do solo quilométrico. A autoria dos temas é repartida entre Jason Mears (sax alto e clarinete) e Kris Tiner (trompete e fliscorne), mas os contributos de Ivan Johnson (contrabaixo) e Paul Kikuchi (bateria, percussão e electrónica) são insubstituíveis. A riqueza tímbrica é notável para um grupo desta dimensão, graças às inventivas combinações entre Mears e Tiner, ao recurso ao arco pela parte de Johnson e à alargada paleta percussiva e aos gadgets de Kikuchi.
O Empty Cage Quartet já tinha discos gravados em discretas etiquetas que não se costumam ver por cá. É bem-vinda a sua divulgação pela mão da Clean Feed e aguarda-se com expectativa a próxima gaiola cheia de música de plumagem variegada.

Time Out Lisboa review by Jose Carlos Fernandes

Lisboa, capital mundial do jazz
Os nova-iorquinos já o admitiram. Resta espalhar a notícia entre os lisboetas: algum do melhor jazz contemporâneo tem o selo Clean Feed.
Se eu afirmar que uma das melhores editoras de jazz do mundo, que está a fazer pelo jazz de hoje o mesmo que a mítica Blue Note fez pela vanguarda dos anos 50 e 60, tem a sua sede na Rua do Alecrim, a uns passos do Tejo, vão talvez olhar-me como lunático ou julgar que estou a levar longe demais o espírito Time Out Lisboa. Em Portugal é frequente que o reconhecimento das qualidades do que por cá se faz só ocorra quando alguém “lá fora” faz o elogio. Assim, se eu acrescentar que a Clean Feed foi eleita como uma das melhores editoras de jazz de 2007 em todo o mundo pelo jornal All About Jazz, de Nova Iorque, e que tem distribuição na França, EUA, Polónia, Noruega, Espanha, Japão, Itália, Alemanha, Canadá, Austria, Suiça e Inglaterra, talvez a frase de abertura comece a soar menos descabelada.
Pedro Costa, um dos mentores da editora, não se mostra muito surpreendido com o galardão da All About Jazz, “porque foi por achar que a Clean Feed poderia ter um percurso interessante e uma palavra a dizer em termos de edição internacional que tudo começou”. O que Pedro Costa não esperava foi o ímpeto que a Clean Feed ganhou: “Pensei que iriamos demorar décadas a chegar a este patamar se é que alguma vez isso iria acontecer. A coisa tem acontecido progressivamente, no primeiro ano editamos 2 discos, no segundo 6, no terceiro 9, no quarto 14, no quinto 21, no sexto 21 também e 33 em 2007”. O que é ainda mais notável é que esta cadência não tem comprometido a elevada fasquia de qualidade, como se pode comprovar ouvindo a última fornada.
O MI3 que está por trás de Free advice (*****) não tem Tom Cruise no elenco nem é a divisão da Millitary Intelligence britânica dedicada à investigação da música subversiva e desviante. Senão teriam de se prender a si mesmos, pois a música que praticam nem por um momento se conforma à ortodoxia e aos bons costumes. O cerne dos MI3 é o pianista grego (radicado nos EUA) Pandelis Karayorgis, que conta com a cumplicidade dos conhecidos Nate McBride (contrabaixo) e Curt Newton (bateria). A música dos MI3 é feita de esquinas abruptas, vazios imprevistos e construções que se diriam saídas de O Gabinete do Dr.Caligari. O piano angular e enérgico de Karayorgis é obviamente devedor das influências dos grandes mestres Thelonious Monk e Cecil Taylor (há quem complete a Pianíssima Trindade com Paul Bley, de quem Karayorgis foi aluno). Os temas de Free Advice são da autoria do pianista, mas há lugar para dois temas de Ellington e “Ankhnathon”, uma peça alicerçada sobre uma hipnótica sequência de cinco notas na mão esquerda, de outro pianista requintadamente esdrúxulo – Sun Ra.
Após Interface (também na Clean Feed), um CD em trio de tremenda intensidade, gravado em 2003 no Teatro Gil Vicente, em Coimbra, o saxofonista norte-americano Steve Lehman regressou à Lusa Atenas, para registar Manifold (****), mais um fortíssimo disco ao vivo, novamente no âmbito do festival Jazz Ao Centro. O local foi desta feita o Salão Brazil e a companhia é da trompete de Jonathan Finlayson, do contrabaixo de John Hebert e da bateria de Nasheet Waits. Manifold é prejudicado pela acústica dura e estridente de uma sala que já deslustrara um pouco o magnífico CD do colectivo Four Corners, gravado no mesmo local (e também editado pela Clean Feed). Mas a acústica ingrata é um detalhe face à insuportável má-educação do público, que tagarela incessantemente como se estivesse num botequim e abate ingloriamente uma estrela à cotação do CD.
Dance of the soothsayer’s tongue (****), do New York Quartet do trompetista Dennis González, também testemunha um concerto em que a gravação não fez inteira justiça à performance. Desta vez a culpa não foi da acústica nem do público, mas de falha técnica, que fez com que ficassem registados apenas 34 minutos do concerto em 2003, no clube Tonic, em Nova Iorque. A instância da Clean Feed, González e o baterista Mike Thompson entraram em estúdio para complementar o que se salvou do Tonic. A singela formação trompete + bateria é bastante arriscada, mas os duetos não desmerecem da música registada no Tonic, em quarteto, com o sax tenor de Ellery Eskelin e o contrabaixo de Mark Helias. Num grupo do gabarito deste NY Quartet de González é difícil destacar um músico, mas seria injusto omitir que Mike Thompson prodigaliza ao longo do CD uma assombrosa masterclass de percussão.
Tony Malaby estreia-se na Clean Feed com Tamarindo (****). Malaby tem sido sideman regular de George Schuller, Mario Pavone, Satoko Fuji, Tom Varner ou Angelica Sanchez e já possui apreciável discografia em nome próprio. Apresenta-se agora em trio com William Parker no contrabaixo e Nasheet Waits na bateria. Estes dois portentos asseguram uma secção rítmica nervosa, irrequieta, borbulhante, que corre como uma torrente impetuosa semeada de turbilhões que se fazem e desfazem num ápice, e sobre a qual voga o saxofone (soprano ou tenor) de Malaby. O CD encerra com um tema de muito alta tensão, “Floating Head”, que acabará seguramente por converter os indecisos.
Para concluir convém dizer que a Clean Feed não se limita a produzir rodelinhas prateadas – embala-as em originais caixinhas de cartão de design esmerado, que são um deleite para quem também ouve com os olhos e os dedos.

Time Out Lisbon reviews by Jose Carlos Fernandes

cf095Mário Barreiros Sexteto Dedadas (A Chave do Som) **
João Lencastre’s Communion One (Fresh Sound New Talent) ***
Júlio Resende Da alma (Clean Feed/Trem Azul) ****
Três álbuns de estreia portugueses, um de um músico e produtor com longa experiência (Barreiros) e dois de jovens talentos (Lencastre e Resende), dão conta de um momento animado no jazz nacional.
Ao jazz já chamaram “the sound of surprise” mas Dedadas, de Mário Barreiros, é a previsibilidade feita disco. O CD tem sete temas mas o sexteto poderia, com a mesma tranquilidade e competência, ter produzido 70. “Juvenal” parece querer quebrar o morno embalo, mas é um momento passageiro. Logo se regressa à amena cavaqueira e quando, quase a fechar, o tema “Dedadas” se abalança ao paroxismo, este soa a falso.
One, do grupo Communion, liderado pelo baterista João Lencastre e gravado ao vivo no Hot Clube, é outra coisa, em boa parte por “culpa” de um pianista de nível superior, Bill Carrothers, que literalmente “rouba o espectáculo”. Já Phil Grenadier (trompete) raramente está à altura dos pergaminhos. É pena que o crédito amealhado, muito por mérito de Carrothers, em “Lonely woman” e “Summertime” seja dissipado na banalidade de “New World” (de Björk) e “108” (com Carrothers mais apagado).
Em Da Alma, do pianista Júlio Resende, está presente algo que falta nos outros dois CDs: uma personalidade musical, com algo de seu para exprimir – uma “alma”, se se quiser ir para a metafísica. O quarteto tem João Custódio no contrabaixo e o saxofone está repartido entre Alexandra Grimal e Zé Pedro Coelho e a bateria entre João Lobo e João Rijo. Mas são as composições e intervenções do líder, “moderno” mas sem perder de vista a melodia, que marcam a diferença. Aguarda-se que o futuro traga mais música na linha de “Filhos da revolução” e “Um dia de férias”.

Le Son du Grisli review by Grisli

cf-129Daniel Levin: Fuhuffah (CF 129)
Plusieurs fois convaincant en quartette – malgré quelques préciosités remarquées –, Daniel Levin s’essayait récemment au trio. En compagnie du contrebassiste Ingebrigt Haker Flaten et du batteur Gerald Cleaver, donnait même sur Fuhuffah de radicales preuves d’adéquation au genre.

Entre de grandes plages d’improvisation portée par des convulsions que se partagent les musiciens (Fuhuffah, Wiggle), trouver ici des pièces d’étoffes différentes et assorties : Shape, sur lequel le violoncelliste n’a qu’à discourir sur le canevas agissant de ses partenaires ; Metaphor, qui gagne en intensité à mesure qu’Haker Flaten répète trois notes porteuses ; Hangman, hymne mélancolique que Levin dépose timidement avant de le faire disparaître sur les recommandations d’une conjuration d’archets ;  Open, enfin, morceau d’évidences sur lequel courent et se bousculent de nerveuses et étouffées expérimentations.

On savait la finesse et la discrétion de Cleaver et les promesses de Levin. Fuhuffah, de revenir sur les premières et de voir les secondes se concrétiser. L’option du trio, peut-être.
http://www.lesondugrisli.com/

Jazz Viking review by Félix-Antoine Hamel

La filière portugaise 
Depuis près de huit ans, le label portugais Clean Feed a bâti un imposant catalogue de jazz moderne, faisant paraître a un rythme impressionnant des disques d’une qualité souvent exceptionnelle. Uniquement en 2008, on recense plus de 35 albums parus, incluant un coffret de quatre disques de duos entre Anthony Braxton et Joe Morris, marquant la centième parution de l’étiquette. D’autres musiciens à la réputation bien établie font partie du catalogue (notemment Gerry Hemingway, Mark Dresser, Roswell Rudd, Charles Gayle et Evan Parker) alors que le vétéran trompettiste Dennis Gonzalez y connaît un nouvel âge d’or discographique, à la hauteur de ses réalisations des années 1980 sur le label Silkheart. Mais l’objectif principal de Clean Feed semble bien de faire connaître des musiciens plus jeunes, et j’ai choisi de livrer ici des notes sur cinq disques parmi ceux parus ces dernières années, qui font déjà partie selon moi des essentiels de notre décennie.
Clean Feed CF052
Les habitués des étiquettes CIMP et CJR connaissent le nom d’Adam Lane: le contrebassiste apparaît en effet sur plus d’une quinzaine d’enregistrements sur les labels de Bob Rusch, dont sept sous son nom. Le Full Throttle Orchestra est un septette à l’instrumentation quasi mingusienne permettant à Lane de développer des idées à grande échelle. C’est le trompettiste Darren Johnston qui ouvre le bal sur In the Center of the Earth, Looking for Mike, avec un solo volubile. Seul cuivre du groupe, Johnston utilise sa sonorité large et généreuse tout au long du disque pour contrebalancer la présence de trois saxos, soit Aaron Bennett, Jeff Chan et Lynn Johnston. Le septette est complété par John Finkbeiner à la guitare et Vijay Anderson à la batterie. Lane a aussi collaboré avec Ken Vandermark au sein de l’explosif quartette 4 Corners (voir CF076 et le DVD CF134), et on retrouve la même énergie que chez le chicagoan dans ses compositions (et le baryton de Johnston n’est pas sans évoquer le jeu musclé de Vandermark). Le contrebassiste expose aussi son style solo efficace en détail dans In the Center of the Earth… et Without Being, fournissant par ailleurs un soutien sans faille aux improvisations souvent incendiaires (Lynn Johnston et Chan sur Nutria One, par exemple). La guitare de Finkbeiner est souvent utilisée pour colorer la palette sonore, comme dans Without Being, où un thème serein plane au-dessus d’un menaçant paysage guitaresque empli de distorsion. Ailleurs (sur Sienna, par exemple), le guitariste sait aussi se montrer un fin mélodiste. Anderson est un batteur solide, dont le jeu démontre (sur Avenue X, entre autres) une parenté avec celui de Tony Williams. Objects est une courte étude utilisant le contraste entre l’utilisation des silences et un thème furieux qui résonne comme la menace d’une détonation. Ne craignant pas les rythmes empruntés au rock, Lane construit sur The Genius of El Segundo un riff monstre qui découle sur une performance que ne désavouerait pas le tentette de Peter Brötzmann, performance qui n’est que surpassée en puissance par  Serenity, dont le furieux solo de soprano de Bennett dément vite le titre. Le final Schnube, sorte de calypso ironique, vient varier le ton et mettre un point final réjouissant à un album majeur. 

Clean Feed CF059
Malgré son nom, ce quintette semble avoir bien peu en commun avec la formation légendaire dirigée par Willem Breuker: on ne retrouve pas tellement ce côté ironique et quelque peu fanfaron (fanfaresque?) typiquement hollandais dans ce jazz moderne solide et dynamique. Un saxophoniste brésilien (Alipio C. Neto), un trompettiste français (Jean-Marc Charmier), une vibraphoniste belge (Els Vandeweyer), un tandem rythmique portugais (le contrebassiste Joao Hasselberg et le batteur Rui Gonçalves) et un titre emprunté à un poète irlandais: voici un groupe international que réunit un même amour de l’improvisation et d’une pulsation élémentaire, fondation rythmique de plus d’un solo débridé. Le quintette livre un post-bop énergique, un peu à la façon du nouveau jazz scandinave, illustré avec éclat dès l’ouverture, Proof Boum Boum, où se distingue Charmier. Avec une section rythmique très active, Vandeweyer trouve toutefois quelque espace pour ponctuer la performance de commentaires percussifs, et ses solos sont admirablement structurés. Sur Hitching, l’accordéon de Charmier apporte une touche rafraîchissante, tout comme lors de la huitième pièce, Thierry Na Caatinga, qui intègre intelligemment à une pièce particulièrement groovy le chanteur et percussioniste Paulo Matrico. Neto est un saxophoniste au jeu rude et coriace, parfait pour ce type de session, et il s’affirme comme le leader naturel du groupe (il a aussi un album intéressant sous son nom chez Clean Feed baptisé The Perfume Comes Before the Flower, CF093). 

Clean Feed CF097
Le saxophoniste alto (et sopranino) Steve Lehman n’est plus tout à fait un jeunot inconnu, lui qui jouait déjà chez Anthony Braxton en 2000. C’est cependant au cours des deux ou trois dernières années qu’il a vraiment commencé à faire sa marque, autant au sein du trio Fieldwork qu’avec ses propres disques, dont Interface (CF022), remarquable trio avec Mark Dresser et Pheeroan AkLaff. Ancien élève de Braxton et de Jackie McLean (à qui il a peut-être emprunté sa sonorité très métallique), Lehman a trouvé chez ses ainés (et aussi chez les Steve Coleman, Tim Berne et compagnie) un goût des compositions aux combinaisons rythmiques complexes, et des solos d’une grande logique pour naviguer sur ces eaux houleuses. Enregistré à la même époque que On Meaning (Pi Recordings), album assez dense d’un quintette résolument moderne, ce disque live lui permet de développer parallèlement certaines idées similaires dans un contexte moins formel. Associé (comme pour l’album studio) au trompettiste Jonathan Finlayson (membre des Five Elements de Steve Coleman), le saxophoniste recrute ici le contrebassiste John Hebert et le batteur Nasheet Waits. Les thèmes de Lehman sont pleins de pièges mélodiques, de résolutions surprenantes et de variations rythmiques déroutantes et récurrentes. Enregistré au festival de Coimbra (au Portugal, bien entendu), Manifold dégage une énergie brute, dégagée du vernis des enregistrements studio de l’album Pi, tout en atteignant une certaine sérénité dans des pièces comme Berceuse et Dusk (de Andrew Hill). Le trompettiste est un partenaire idéal, répondant aux idées du saxophoniste sans coup férir. Lehman s’affirme comme un soliste redoutable et plein de surprises, un styliste qui ne cache pas ses influences tout en restant original (comme dans l’étonnant solo-hommage à Evan Parker qui ferme cet album). 

Clean Feed CF101
À l’instar d’Adam Lane, le saxo ténor Stephen Gauci est un habitué des labels Cadence (CIMP et CJR), avec six albums sous son nom, en plus d’un excellent tryptique paru plus tôt cette année chez Ayler Records (Live at Glenn Miller Café). Basso Continuo, comme son nom l’indique, est un groupe mettant l’accent sur les basses fréquences, en l’occurence les deux contrebassistes Mike Bisio et Ingebrigt Håker Flaten. Le quartette sans batterie est complété par le trompettiste Nate Wooley. Nididhyasana (uninterrupted contemplation) débute par une conversation entre les deux contrebassistes, dont les phrases entremêlées fournissent au ténor doux-amer de Gauci un soutien exemplaire. À tour de rôle, Bisio et Flaten s’échangent passages pizzicato et à l’archet, alors que la performance évolue, passant par toutes les combinaisons possibles: quartette, trios, duos puis, dans la dernière partie de cette longue plage, solos, de Gauci d’abord, puis de chacun des contrebassistes. L’absence de batterie ne se fait pas tellement ressentir, l’espace percussif étant de toute façon occupé par le jeu occasionellement robuste des contrebassistes. Wooley est un styliste subtil qui n’a pas froid aux yeux, et un improvisateur qui s’accorde bien au jeu de Gauci. L’une des plus grandes qualités de ce dernier est d’éviter la plupart des clichés inhérents à ce type de musique improvisée, par une grande concentration et une grande écoute. Jamais excessif, le saxophoniste déploie un jeu à mi-chemin entre la tradition et les territoires plus abstraits. Dhriti (steadfastness) débute avec une solide walking bass, alors que saxophoniste et trompettiste entremêlent des phrases complémentaires. Même dans les moments les plus chaotiques, les quatre musiciens conservent un grand sens de la direction, de la pulsation fondamentale. Wooley, avec un grand contrôle de son instrument, fait appel aux effets les plus saisissants. L’ouverture de Chitta Vilasa (play of mind), un duo ténor-contrebasse, est un exemple parfait du jeu de Gauci, qui intègre allègrement des références au bop, à Coltrane, à Rollins et aux saxophonistes pré-bop dans un phrasé on ne peut plus libre et naturel. Le passage suivant, un duo trompette-contrebasse à l’archet, basé sur des sonorités altérées, amène un salutaire contraste. Les contrebasses se font de nouveau foisonnantes sur le court Turyaga (beyond words), alors que saxophoniste et trompettiste y sont des plus volubiles. Avec ce disque et son récent album sur Ayler Records, on peut dire que Stephen Gauci offre une rafraîchissante vision de la musique improvisée, fermement ancrée dans la tradition du jazz sans tomber dans des formules éculées. Un nom à surveiller. 

Clean Feed CF103
Voici l’une des belles surprises de l’année 2008. J’avoue ne rien savoir de Jason Mears (saxo alto et clarinette), de Kris Tiner (trompette et bugle), de Paul Kikuchi (batterie, percussion et électroniques) et de Ivan Johnson (contrebasse), mais ce disque téléchargé un peu au hasard, puis acheté au gré d’une vente est une remarquable illustration de ce qu’est le jazz de notre époque. Sur onze compositions originales (sept par Mears et quatre par Tiner), le quartette passe d’un free-bop solide et (instrumentation oblige) colemanien (Again a Gun Again a Gun Again a Gun, Old Ladies) à une pièce répétitive (Feerdom is on the March); d’un abstrait à la Braxton (The Power of the Great) au déclamatoire We Are All Tomorrow’s Food; de la fanfare de Steps of the Ordinarily Unordinary au méditatif Aurobindo; des quatorze minutes du multiforme Through the Doorways of Escape Come the Footsteps of Capture au fragmentaire Beedie and Bob (45 secondes); et finalement du duo dépouillé contrebasse-percussions sur The Illusion of Transparency à l’épique Don’t Hesitate to Change Your Mind, qui demeure la pièce de résistance du disque à plus de 17 minutes. Voici donc un autre disque exemplaire, démontrant encore une fois que le jazz se porte bien au XXIe siècle. 
Ces cinq albums ne sont bien sûr qu’une infime partie du catalogue du label portugais, qui en est maintenant à sa 134e parution (en l’occurence son premier DVD, une performance du quartette 4 Corners). On pourra bien entendu consulter le catalogue complet sur leur site web, ou encore télécharger la majorité de ces albums (dont les cinq chroniqués ici) sur eMusic
Note: l’article sur l’album de Steve Lehman est une refonte d’un texte paru dans La Scena Musicale de mars 2008. 
http://jazzviking.blogspot.com/2009/01/la-filire-portugaise.html