Daily Archives: December 28, 2009

Jazz and Blues review by Timothy G. Niland

Nicolas Masson’s Paralell’s – Thirty-Six Ghosts (CF 163)
Is Clean Feed Records the new Blue Note? Whereas the famous label has fallen almost dormant in the corporate controlled, recession wracked new millennium, this scrappy Portuguese label has filled the gap, recording progressive jazz musicians from around the world. A talented tenor saxophonist of an inside/oustide bent, Nicolas Masson is joined on this album by Colin Vallon on electric piano, Patric Moret on bass and Lionel Frieldi on drums. The group gets a thoroughly modern jazz sound, drawing on diverse influences and experiences and making them into an original and integrated whole. “Sirius” and “La Phasme” open the ambum with mid tempo sounds before building to dynamic conclusions, particularly the latter, during which Masson builds and architecturally impressive solo. Funky drums and electric piano kick “Hellboy” into gear with some very dynamic playing by the entire band, and an exciting saxophone feature. “Thirty Six Ghosts” moves dynamically though a loud – soft dynamic that is well paced. Masson’s “Yeah Baby” just kills: overdriven, ‘dirty’ sounding fender rhodes piano, pile-driving drums, go for broke saxophone, make this the most impressive song on a very well done album. Much like fellow minded seekers Dave Douglas and The Bad Plus, this group draws inspiration from alternative rock, pop and other sources in a coherent way, looking to incorporate these influences in their own improvised sound and vision. On this album they succeed admirably.
http://jazzandblues.blogspot.com/

Advertisements

Improvisos ao Sul “Best of 2009” list by António Branco

MELHORES 2009 – JAZZ INTERNACIONAL

Dave Douglas & Brass Ecstasy – “Spirit Moves” (Greenleaf Music)
Keith Jarrett – “Testament Paris/London” (ECM)
Steve Lehman Octet – “Travail, Transformation and Flow” (Pi Recordings)
Marty Ehrlich Rites Quartet – “Things Have Got to Change” (CF 151)
John Butcher/Gerry Hemingway – “Buffalo Pearl” (Auricle)
Fire! – “You Liked Me Five Minutes Ago” (Rune Grammofon)
Wadada Leo Smith/Jack DeJonhette – “America” (Tzadik)
Vassilis Tsabropoulos – “The Promise” (ECM)
John Hébert – “Byzantine Monkey” (Firehouse 12)
David S. Ware – “Shakti” (AUM Fidelity)
Borah Bergman Trio – “Luminescence” (Tzadik)
http://improvisosaosul.weblog.com.pt/

Clean Feed on All About Jazz New York “Best of 2009” list


Best Record Label

CLEAN FEED

Best New Release 2009
Herculaneum – Herculaneum III (CF 140)
Steve Adams Trio – Surface Tension (CF 131)

Best New Release 2009 – Honorable Mention 
Denman Maroney Quintet – Udentity (CF 137)
Harris Eisenstadt – Canada Day (CF 157)
Marty Ehrlich Rites Quartet – Things Have Got To Change (CF 150)
Michael Blake/Kresten Osgood – Control This (CF 136)
Paul Dunmall’s Sun Quartet – Ancient and Future Airs (CF 138 )

Renku – In Coimbra (CF 162)
Steve Swell – Planet Dream (CF 148 )
Trespass Trio – “…was there to illuminate the night sky…” (CF 149)

Best Debut Release
Nobuyasu Furuya Trio – Bendowa (CF 159)

Best Original Album Artwork 
Avram Fefer – Ritual (CF 145)

Signal to Noise review by Bill Meyer

Trespass Trio – “…was there to illuminate the night sky…” (CF 149)
When free jazz first got tagged as fire music, people weren’t just referring to the scorching tones, but to the music’s association with revolutionary aspirations. There was a lot happening back in the day that would make a thinking woman or man want to burn something to the ground, but while things can’t really be said to have gotten any better, I’m not sure that destruction is as appealing an option these days. The Trespass Trio play hot, all right, but they also protest against the heat. The title of this record refers to white phosphorous, the hideously effective incendiary agent that has been part of America’s (and many other nations’) armory since WWI; saxophonist Martin Küchen, bassist Per Zanussi, and percussionist Raymond Strid are not in favor of it. Art has often set itself against humanity’s capacity for inhumanity, sometimes to its own detriment, but the choice to tether their music to political and moral imperatives seems only to have sharpened the three men’s focus. Their previous release, a download-only album on Ayler under the name Martin Küchen Trio, was a sprawling affair, but here the music is much more pithy and pungent, and much better for it. Küchen’s reeds seeth and wail in heaving masses of sound that ripple the way the ground does when lashed by a nuclear shockwave.  Zanussi and Strid are far more than accompanists, stoking the music’s boil with surges of struck metal and plucked gut. Their protest has more anguish than rage in it, but there’s still enough righteous indignation in the title tune alone that you have to admit they’re fighting the good fight.

Time Out Lisbon reviews by José Carlos Fernandes

O Milagre da Rua do Alecrim
Crise? Na Clean Feed não se sabe o que quer dizer esta palavra: os discos sucedem-se e o leque de artistas e correntes estéticas não pára de se alargar

“A mais prolífica e ousada editora de jazz deste novo século”. É assim que o prestigiado site All About Jazz se refere à Clean Feed, que já tinha distinguido como uma das melhores editoras de jazz de 2007. Os encómios – mais saborosos por virem da América – justificam-se, pois o catálogo da editora da Rua do Alecrim já ronda os 170 discos e acaba de ser ampliado com uma mão-cheia de novos títulos.

Apesar do seu talento e reputação e de se rodear invariavelmente de músicos de elite, o saxofonista norte-americano Marty Ehrlich possui uma discografia imprevisível, que oscila entre o inspirado (Just Before the Dawn ou Malinke’s Dance) e o corriqueiro. Things Have Got To Change (****), que marca a estreia deste grande jazzman na Clean Feed, pertence ao primeiro grupo. Este seu Rites Quartet (gravado em Lisboa, de regresso de um concerto em Ponta Delgada) dificilmente poderia falhar, pois conta com James Zollar na trompete, Erik Friedlander no violoncelo e Pheeroan akLaff na bateria. Friedlander é o mais surpreendente (para quem não o conheça de outras andanças), impelindo o grupo num pizzicato elástico ou extraindo lamentos pungentes com o arco. akLaff tem a arte de conciliar potência e subtileza, gerando propulsão e swing sem obscurecer os volteios do violoncelo. Além das composições do líder, há três peças de Julius Hemphill – e não creio que alguém resista a ser hipnotizado pela que fecha o disco, a mítica “Dogon AD”.

Qualquer grupo que tenha como baterista Tom Rainey ou John Hollenbeck pode considerar-se afortunado. Ter Rainey e Hollenbeck é ganhar o Euromilhões. É isso que acontece em Voladores, do saxofonista Tony Malaby (****). Malaby, que já marcara presença na Clean Feed com Tamarindo (2007), surge agora o seu quarteto Apparitions, com o contrabaixo seguríssimo de Drew Gress e os dois super-bateristas já mencionados. Hollenbeck, que toma o lugar que no disco de estreia foi de Michael Sarin, não se limita à bateria, dispersando-se por marimba, vibrafone, xilofone, glockenspiel, melódica e utensílios de cozinha. Não se espere desta dupla o estardalhaço abrutalhado e testosterónico que, no jazz-rock, costuma estar associado a baterias dobradas – em vez disso há difusas e intrigantes nuvens percussivas que, com o avançar dos temas, se acastelam e podem gerar tornados furiosos.
Os “Voladores” do título são aqueles mexicanos que giram, de cabeça para baixo e muitos metros acima do solo, suspensos por cordas de um mastro, evocando rituais pré-colombianos de celebração da Terra e das estações. Este Voladores permite a experiência inebriante de girar pelo céu pendurado pelos pés, sem abandonar o conforto do sofá.

O quarteto Parallels do saxofonista Nicolas Masson é inteiramente suíço, mas desmente frontalmente a boutade que apresenta o relógio de cuco como único contributo helvético para a civilização. Em vez de aprazíveis paisagens alpinas, Thirty Six Ghosts (*****) oferece poderosos grooves urbanos, com raízes rock e funk e afinidades com o M-Base, alimentados por Patrice Moret (contrabaixo) e Lionel Friedli (bateria). Pese embora o mérito de todos os intervenientes, quem “rouba o espectáculo” é Colin Vallon, um mago do Fender Rhodes, que tanto urde teias vaporosas como alimenta ritmos endemoninhados. Masson diz-se influenciado por Messiaen e Rage Against The Machine (e tudo o que está pelo meio) e se os segundos não são alheios às faixas mais “musculadas”, o primeiro paira sobre as águas negras, lisas mas inquietantes, de “Le Phasme”.

O trio do acordeonista Will Holshouser com Ron Horton (trompete) e David Phillips (contrabaixo), que já gravara dois discos muito recomendáveis para a Clean Feed, Reed Song e Singing to a Bee, associou-se, por inspirada sugestão da editora, ao pianista Bernardo Sassetti. Felizmente não se ficaram pelo espectáculo ao vivo nos Dias da Música de 2008 e deram um salto aos estúdios Valentim de Carvalho, de onde saiu este Palace Ghosts & Drunken Hymns (****). O disco abre com Carlos Paredes e uma “Dança Palaciana” que perdeu todo o carácter palaciano e volteia, ébria, num bar de uma Nova Orleães submersa por mais um furacão calamitoso. “Dance of the Dead” são os Penguin Cafe Orchestra de visita ao México, “Narayama” uma belíssima paisagem que emerge da bruma, “East River Breeze” tem walking bass dançante e uma trompete que narra as agruras da vida num lirismo desbragado. Há afinidades sonoras com o saudoso grupo Charms of the Nightsky, de Dave Douglas, mas o espectro emocional de Palace Ghosts & Drunken Hymns é mais amplo e à melancolia soma tons rústicos e circenses. Há momentos em que não se estranharia se Tom Waits entrasse em cena, acusando o piano – e restantes instrumentos – de ter andado a beber.

Time Out Lisbon review by José Carlos Fernandes

Júlio Resende – Assim Falava Jazzatustra (CF 158 )
****

Da Alma foi um bom começo, mas adivinhava-se que Resende poderia ir mais longe, pois enquanto o piano, o contrabaixo e a bateria puxavam claramente em frente, o saxofone parecia estar preso a estruturas convencionais.
No novo quarteto de Resende esta discrepância foi resolvida: o novo titular do saxofone, Perico Sambeat, rema no mesmo sentido que os parceiros e o contrabaixista Ole Morten Vagan e o baterista Joel Silva são ainda mais irrequietos que os seus antecessores. O facto de o disco ter sido gravado ao vivo – na sala Nietszche da Fábrica Braço de Prata, o que explica o título –contribui provavelmente para a atmosfera de intensidade que nele impera.
O desafio a que Resende alude nas notas de capa de Assim Falava Jazzatustra foi superado com distinção: o seu opus 2 é assertivo, ousado e seguro da sua identidade, mesmo quando passa por ambientes tão diversos como o “kuduro progressivo” de “Sakatwala” (uma fornalha rítmica de sabor africano, com excelente solo de Vagen), o pop a deslizar para a Twilight Zone de “Ir e Voltar” (com a voz de Manuela Azevedo, dos Clã), o irresistível ímpeto rítmico de “Don’t” (com Sambeat ao rubro) e de “Boom!” e até pela miraculosa recuperação do estafado “Shine On You Crazy Diamond”, dos Pink Floyd, que nas mãos de Resende (sem o resto da banda) ressuscita como melancólica balada do American Songbook. Só “Caixa Registadora” fica um pouco abaixo dos parceiros: após início de recorte monkiano, acomoda-se ao molde de uma escaldante sessão hardbop de início dos anos 60.
O mundo passa bem sem Übermenschen (os super-homens nitzscheanos tendem a arranjar sarilhos a toda a gente), mas o Überjazz é sempre bem-vindo. Pois como diz Resende, “a essência do jazz sempre foi a de se ultrapassar a si próprio”.

All About Jazz Italy review by Luca Canini

Lucky 7s – Pluto Junkyard (CF 141)
Valutazione: 4.5 stelle
Un po’ Chicago, un po’ New Orleans. Sono in sette, si fanno chiamare Lucky 7s e il qui recensito Pluto Junkyard, pubblicato dalla benemerita Clean Feed, è il loro secondo CD all’attivo (il primo, Farragut, è uscito per la piccola Lakefront Digital, praticamente roba da carbonari). Un po’ Chicago e un po’ New Orleans, si diceva, perchè il gruppo nasce dall’incontro fra due trombonisti: Jeff Albert, dopo il 2005 in fuga dalla Louisiana e dall’uragano Katrina verso l’Illinois, e Jeb Bishop, quasi veterano della scena di Chicago, fedele scudiero di Ken Vandermark in tante battaglie. Con loro una sezione ritmica targata New Orleans, composta dal batterista Quin Kirkchner e dal bassista Matthew Golombisky, e un terzetto di rappresentanti della “nuova” Chicago (nipote dell’AACM, figlia del post-rock, svezzata da gente come Vandermark e Mazurek): il sassofonista Keefe Jackson, il vibrafonista Jason Adasiewicz (nome da appuntare: talento immenso) e il cornettista Josh Berman.
Musica d’incroci quella dei Lucky 7s, musica che colpisce fin da subito per incisività della scrittura e cura degli arrangiamenti, qualità dei contributi solistici e imprevedibilità-varietà delle soluzioni ritmico-armoniche. Il respiro complessivo è quello tipico della Chicago odierna, tanto Vandermark (l’iniziale “#6,” con quell’attacco bruciante e il doppio tema-doppio riffone, e “Future Dog,” che su un disco degli School Days ci sarebbe stata alla grande), un pizzico di AACM (“Ash,” introduzione solenne, avvio pulsante, crescendo implacabile e sviluppo che prende in contropiede), una spruzzata di Sun Ra (l’oscura “Afterwards”); ma negli svolazzi della composita front-line (quattro fiati) non è difficile rintracciare (sarà una suggestione?) un che di New Orleans, se non altro nei contrasti-contrappunti tra la cornetta di Berman e la coppia di tromboni, che spesso assolvono compiti strettamente ritmici.     

Ma le suggestioni non sono finite, perchè “Sunny Bounce” offre una gioiosa ventata di gusto retrò (il primissimo Sun Ra? L’Oliver Nelson metà Sessanta?), mentre “Jaki’s Walk” riesce a suonare persino latin con quel suo incedere sinuoso e ostinato. Cima Coppi dell’intera scaletta, la strepitosa “The Dan Hang,” che si apre con un nervoso botta e risposta tra sax-cornetta da una parte e il trombone di Albert dall’altra. Sulla fitta trama si innesta la sezione ritmica: basso pulsante, batteria martellante, vibrafono etereo. Ci pensano poi le sei corde di Bishop (trombonista, ma anche valente chitarrista) a far esplodere il tutto in un crescendo noise, fino a quando il pezzo decolla ritmicamente, diventando qualcosa di molto simile a un’outtake dei Jaga Jazzist.

Notevole, come tutto il disco. Anzi, imperdibile.
http://italia.allaboutjazz.com/php/article.php?id=4715