As escolhas de Jazz de 2009 – Público – Nuno Catarino, Paulo Barbosa, Rodrigo Amado

1. Wadada  Leo Smith / Jack DeJohnnete
America
Tzadik, dist. Flur

Wadada Leo Smith
Spiritual Dimensions
Cuneiform

Músico que nunca atingiu o reconhecimento devido por se ter dedicado à criação pura e inadulterada, revela absoluta paixão pelo silêncio como matéria primordial da música. Em “America”, o característico som de pratos de DeJohnette e o sopro penetrante, algo austero, de Leo Smith, dá-nos a sensação de que estamos perante algo especial, um dueto que conjura pensamentos e emoções muito para além da simples música. Em  “Spiritual Dimensions”, rodeado de músicos de excepção – no primeiro CD com o Golden Quintet, e no segundo com o noneto Organic – o trompetista revela uma visão única para o jazz do século XXI. R.A.

2. Keith Jarrett
Testament, Paris/London
ECM, dist. Dargil

Magnífico disco triplo que regista dois concertos do pianista em Paris e Londres, em Novembro e Dezembro de 2008, “Testament” é um monumento. Em longas explorações a solo, Jarrett apresenta as marcas de uma música intemporal, desenvolvendo o seu pianismo lírico de rara intensidade, num evidente pico de forma. N.C.

3. Joe Lovano US Five
Folk Art
Blue Note, dist. EMI

Em “Folk Art”, 22º álbum que grava para a Blue Note, Joe Lovano regressa ao som directo que marcou o início da sua carreira. Reunindo uma formação pouco usual, com duas baterias, piano e contrabaixo, surpreende tudo e todos com um som que se afasta das grandes produções dos últimos anos, como “Viva Caruso”, “Streams of Expression” ou “Symphonica”, e evoca registos mais directos como “Landmarks” ou “Universal Language”. R.A.

4. João Paulo
White Works
Universal, dist. Universal

João Paulo agarra numa selecção de composições do contrabaixista Carlos Bica e injecta-lhes vida nova. Os temas mantêm a essência melódica e a música fica a ganhar quando o pianista improvisa como gosta. Apesar da simplicidade da proposta – João Paulo serve-se apenas de um piano clássico – imprime a sua linguagem e, em alguns casos, as suas versões acabam por soar melhor do que as originais. N.C.

5. Harris Eisenstadt
Canada Day

Clean Feed, dist. Trem Azul

O talento de Harris Eisenstadt como compositor e arranjador, informado não só por uma sólida formação jazzística como também por uma curiosidade sem limites, dá origem a um registo que evoca os mais interessantes projectos dos anos de ouro Blue Note, agregando-lhe simultaneamente elementos do jazz contemporâneo e da nova improvisação. Um bop moderno que é livre, senão na forma, absolutamente no espírito. R.A.

6. Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble
The Moments Energy
ECM, dist. Dargil

Quinto álbum, desde 1992, do grupo liderado pelo saxofonista Evan Parker. Com o apoio de alguns dos seus parceiros habituais (Agustí Fernández, Barry Guy, Paul Lytton, Peter Evans), expande uma pequena orquestra, com assumido investimento electrónico. Navegando entre as dualidades da composição e improvisação, e entre acústico e eléctrónico, o grupo vai construindo um música rica, repleta de pormenores, sempre pautada por uma rígida contenção. N.C.

7. Steve Lehman Octet
Travail, Transformation, and Flow
Pi Recordings

Tomando como base as explorações de Eric Dolphy registadas no clássico “Out to Lunch” e o princípio do movimento M-Base que defendia o ritmo como o ingrediente mais importante da música, subordinando a improvisação ao rigor da escrita e à sua leitura pelo “ensemble”, Steve Lehman apresenta um álbum palpitante do princípio ao fim, numa das mais fortes manifestações de originalidade ouvidas nos últimos anos. P.B.
8. Jon Hassell
Last Night The Moon Came Dropping Its Clothes in the Street
ECM, dist. Dargil

Regressado à ECM, 23 anos depois de “Power Spot”, Hassell encontra nos valores de produção da editora o contexto ideal para uma reactualização dos seus princípios sonoros, que aqui surgem mais brilhantes do que nunca, evocando diversos pontos chave da sua discografia. Com sucessivas audições, o admirável mundo do trompetista é-nos revelado numa imensidão de detalhes sónicos. R.A.

9. Lotte Anker / Craig Taborn / Gerald Cleaver
Live at The Loft
Ilk, dist. Multidisc

Lotte Anker é uma aventureira, no melhor sentido do termo. Durante anos ligada ao meio mais conservador do jazz, decidiu um dia arriscar e criar uma linguagem que fosse dela. Fortemente influenciada por artistas como Marilyn Crispell, Peter Brotzmann ou John Tchicai, mergulhou fundo na disciplina da improvisação total, começando a conquistar merecido reconhecimento. Neste registo, a saxofonista desvenda uma luminosa veia impressionista que encontra eco perfeito em  Craig Taborn e Gerald Cleaver. R.A.

10. The Godforgottens
Never Forgotten, Always Remembered

Clean Feed, dist. Trem Azul

The Godforgottens são quatro músicos que conseguem superar a barreira do previsível e do risco calculado. Magnus Broo, Sten Sandell, Johan Berthling e Paal Nilssen-Love juntam esforços numa odisseia de abstracção e liberdade, num jazz que, de tão livre, se liberta do próprio free-jazz. À intensidade sónica do projecto contrapõe-se uma elegância individual única e uma coerência acima de qualquer suspeita. R.A.

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