Daily Archives: February 2, 2010

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

Harris Eisenstadt – Canada Day (CF 157) ****
O baterista canadiano Harris Eisenstadt estreou-se na Clean Feed com um álbum de inspiração africana, Guewel, mas aqui muda bruscamente de latitude para render homenagem ao seu país natal. Rodeou-se para tal de quatro jovens jazzmen cheios de talento – Nate Wooley trompete), Matt Bauder (sax), Chris Dingman (vibrafone) e Eivind Opsvik (contrabaixo) – e compôs oito peças bem variadas.
Num disco que sendo assumidamente moderno, é capaz de seduzir “tradicionalistas”, destaquem-se “After an Outdoor Bath”, com ritmos fluidos e deslizantes e solos de impressionante vitalidade e invenção por Wooley e Bauder, e “Halifax”, de pulsação encantatória e em que Eisenstadt mostra, com a discrição que lhe é usual, a sua deslumbrante panóplia de recursos.

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Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

Samuel Blaser – Pieces of Old Sky (CF 151) ***
Uma doce agonia crepuscular. Delicadas paisagens sonoras que se desdobram sem pressa. Jazz slowcore em tons sépia. O trombonista suíço Samuel Blaser reuniu um quarteto de luxo e meteu-o a meditar. Há resquícios de blues (“Mandala”) e a contemplação pode dar lugar à inquietação (“Red Hook”, “Speed Game”), mas nada de swing ou qualquer forma de pulsação regular. A bateria (o fabuloso Tyshawn Sorey) não está ali para marcar ritmos mas para criar texturas e cor.
As sete peças do CD são fascinantes quando tomadas uma a uma, mas a ausência de contornos definidos e a similitude das atmosferas instaura alguma monotonia. O céu de fim de tarde pode oferecer um espectáculo magnífico, mas é preciso vocação Zen para contemplar o pôr-do-sol durante uma hora a fio.

Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

Zé Eduardo Unit – Live in Capuchos (CF 155) ***
Nos últimos anos, o jazz foi ganhando a reputação de ser capaz de digerir tudo o que se atire para sua bocarra. Mas a máquina da Zé Eduardo Unit engasga-se com os monos a que deitou o dente: os temas da “Abelha Maia”, “Dartacão”, “Noddy” e “The Simpsons” são rotundas inanidades que até a potente mistura de ácido e sarcasmo dos Naked City ou dos Bad Plus teria dificuldade em atacar.
A voga pós-modernaça da apropriação de tudo o que é piroso e trivial conduz frequentemente a estes equívocos, supostamente hilariantes. Como os bons momentos (fragmentados e desconexos) do CD pouco têm a ver com a matéria-prima “cartoonesca”, fica a aguardar-se que Zé Eduardo, Jesus Santandreu e Bruno Pedroso apliquem o seu talento a objectos mais interessantes.

All About Jazz Italy review by Luca Vitali

Trinity – Breaking the Mold (CF 139)
****

Trinity è un quartetto che come Supersilent, Atomic, The Thing riunisce improvvisatori di gran classe che sanno forgiare musica tellurica caratterizzata da indipendenza e originalità.
Vero leader di questa formazione è Kjetil Moster, ex sassofonista dei Core, che dopo alcuni anni trascorsi in Sudafrica e frequentazioni rock/hardcore con Datarock è tornato, ormai da qualche tempo, al jazz.
Registrazione live, colta nel 2006 a Molde, con Morten Qvenild (leader di In The Country e Magical Orchestra con Susanna Wallumrod) alle tastiere, Ingebrit Haker Flaten al basso e Thomas Stronen alla batteria. Attacco furioso che lentamente lascia spazio a sonorità più tranquille anche se sempre molto cupe, scure.
Musica che in qualche modo si addice all’etichetta Clean Feed, di area free, ma in cui le influenze schizoidi ed elettroniche in pieno stile Supersilent si fanno sentire. Momenti di flebile lacerante lamento del sax su fondali di organo, basso, batteria ed elettronica che si alternano a tratti più tesi e convulsi, piccole eruzioni telluriche che animano un magma sonoro di grande intensità.

Moster esplora al meglio le possibilità timbriche dello strumento avventurandosi in territori inusuali per un sax tenore, assai più vicini alle sonorità del flauto. Qvenild incastona autentiche gemme dal sapore quasi pop in un tessuto sonoro di grande coesione e compattezza, il drumming di Stronen è fitto e colorito, mai giocato sui muscoli, dribbla in agilità creando fitte texture con la maestria, più pacata del solito, di Flaten, stranamente preponderante all’archetto, per un risultato collettivo di grande interazione ed emozione.
Ancora una volta è difficile definire questo disco come jazz, ma perché classificarlo ad ogni costo, quando in fondo si tratta di buona musica nata dalla grande vocazione per l’improvvisazione e frutto di diversi, e non per questo in collisione, background musicali?…
http://italia.allaboutjazz.com/php/article.php?id=4746