Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

Big bands: Passado, presente & futuro

Chegam simultaneamente ao mercado reedições de duas big bands clássicas e a estreia de uma big band multinacional que tem o futuro todo à sua frente.

Em 1964, Quincy Jones tinha apenas 31 anos mas o seu melhor já ficara para trás (está coligido na caixa ABC/Mercury Big Band Jazz Sessions, elogiada nestas páginas quando saiu em 2008) e revelava uma crescente submissão a imperativos comerciais que acabariam por afastá-lo do jazz. Em QJ Explores the Music Of Henry Mancini (Verve/Universal, **) o elenco é de luxo – Zoot Sims, Phil Woods, Roland Kirk, Clark Terry, Snooky Young, Ernie Royal, Quentin Jackson, Gary Burton – mas é impotente para salvar um repertório de bandas sonoras de TV e cinema (não faltam à chamada a Pantera Cor-de-Rosa e Peter Gunn) servido em orquestrações brilhantes e frívolas.

Igual brilho e mais consistência caracterizam Basie Land (Verve/Universal, ***), um registo do mesmo ano pela orquestra de Count Basie com composições e arranjos de Billy Byers (que também participa no disco de Quincy Jones). A orquestra de Basie era uma máquina poderosa e bem oleada mas com excepção de “Gymnastics” e “Doodle-Oodle” (com bons solos de sax cruzados de Eric Dixon e Frank Foster), em que ganha ímpeto de comboio-expresso, limita-se a circular pacatamente, com paragem em todas as estações.

Ambos os discos, o de Basie e o de Jones, exibem excelente som para a idade, mas a informação, como é apanágio da série Originals, é omissa, fragmentária ou ilegível.

Mudança de agulha e de século, para a estreia em disco, com Live in Coimbra (Clean Feed/Trem Azul, ****), da EMJO (European Movement Jazz Orchestra). A EMJO alinha jovens músicos da Alemanha, Portugal e a Eslovénia e foi concebida para ter actividade apenas em 2007, ano em que aqueles três países partilharam a presidência da UE, mas acabou por ganhar vida própria – e uma vida bem excitante, a crer neste concerto no Salão Brazil, no festival Jazz ao Centro de 2010. O nome mais sonante das fileiras da EMJO é o sobredotado trompetista alemão Matthias Schriefl e não é por acaso que o tema de sua lavra, “Köln Kuddelmuddel”, é o momento alto do CD: abertura em toada monkiana, a que se sucede uma charanga circense, algum jazz-funk e, após um solo de bateria, uma fanfarra obsessiva que entra numa imparável espiral de loucura. A peça mais convencional é “Impresija”, da Kaja Draksler, que só é arrancada à modorra por um solo endemoninhado de sax soprano (Uwe Steinmetz). O trombonista Paulo Perfeito assina “E.S.T.”, uma peça que evoca o trio homónimo, com as suas melodias singelas e arrebatadoras.

O futuro da UE seria certamente mais radioso se os seus líderes exibissem a coesão, ousadia e criatividade desta vintena de alemães, portugueses e eslovenos.

One response to “Time Out Lisboa review by José Carlos Fernandes

  1. Sopran saxophone solo is by Jure Pukl not Uwe Steinmetz, please correct! Thank you!

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