Time Out Lisboa review by Jose Carlos Fernandes

Motif – Art Transplant (CF 225)
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Ao quarto disco, o quarteto norueguês expandiu-se a quinteto, acolhendo o trompetista alemão Axel Dörner, e mudou-se para a editora portuguesa Clean Feed. O seu líder, o contrabaixista Ole Morten Vagan (OVG), é uma referência do jazz europeu e o público português conhecê-lo-á pelo precioso contributo que tem dado aos grupos de Júlio Resende. O quinteto passou recentemente pelo Jazz às Quintas, na Cafetaria do CCB.

Ultrapassados os três minutos de estertores de trompete solo que abrem o disco, entra-se em território menos árido: um pós-bop tingido de melodias evocativas do jazz clássicos dos anos 50-60 e impulsionado por uma secção rítmica angulosa e irrequieta. OVG mostra o seu talento com o arco na abertura de “Krakatau”, num solo bem original, que começa como zumbido inquietante e persistente e desabrocha em mil cores e inflexões. Em “Something for the Ladies”, que é impelido por um ritmo irresistível, é a vez de o pianista Havard Wiik ter um solo demolidor. “Lines for Swines” faz lembrar a excitação hipnótica do Coltrane dos anos 60 e tem no seu centro um corrosivo solo de trompete sobre uma turbulência rítmica insana.

Art Transplant mostra como se pode conciliar inovação e tradição e como o moderno jazz europeu não se conforma ao estereótipo de cerebralidade e frieza a que por vezes é associado – nos Motif, a palvra-chave é exuberância.

A lista das faixas na capa do CD está equivocada e os títulos aludidos neste texto seguem a ordem que se encontra nos sites para download de MP3.

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