Jazz.pt review by Pedro Sousa

Luís Lopes – Lisbon-Berlin Trio (CF 234)
***1/2 
O álbum começa com sussurros e rangidos da secção rítmica berlinense, criando uma subversão negra típica deste carácter exploratório da nova música experimental e improvisada alemã. É um início prometedor para o que acaba por ser a melhor faixa do álbum. As intervenções crescentes de Luís Lopes acabam por determinar a estética que se segue por diante: este é um disco de jazz com uma forte dose de rock, fazendo a guitarra lembrar-nos, por vezes, incursões de Marc Ribot ou de Makoto Kawabata, em ataques com distorção até toda a música se transformar numa espécie de trash-jazz .

Este desenvolvimento cria uma expectativa que, infelizmente, acaba por se desvanecer. Em parte devido aos temas, que são algo passáveis, por soarem mais a perfeccionismo técnico do que a procura de uma sequência de notas com significado. Lillinger, que é um excelente baterista, comporta-se como um interruptor de electricidade: ou está ligado a 100% e a carregar no pedal ou atira-se para o “near silence”, o que acaba por tornar as faixas num duelo de casmurros em que cada um tenta impor a sua música, com Landferman a aguentar a ponte entre ambos.

Não que tal signifique que seja um mau trabalho, mas é desapontante o facto de haver desenvolvimentos excelentes em várias faixas que acabam sempre por ser cortados ou tornados curtos através das forças individuais.

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