Daily Archives: October 2, 2012

Publico review by Rodrigo Amado

Hugo Carvalhais regressa em força às edições com um segundo álbum que o confirma como uma das mais brilhantes certezas do jazz nacional

Hugo Carvalhais – Particula (CF 253)
[4 estrelas]
Absolutamente extraordinário o impacto e surpresa deste segundo registo do contrabaixista e compositor Hugo Carvalhais. Aquilo que nos era prometido no excelente registo de estreia, Nebulosa, explode aqui em todas as direcções numa exuberante demonstração de criatividade e aventura musical. Em alguns dos temas, como em Chrysalis, pode mesmo falar-se em implosão, tal a intensidade da energia contida na música, como se todas as partículas vibrassem juntas para criar cada linha, cada nota musical. Determinante, em todo o disco, é a participação dos convidados Emile Parisien, no saxofone soprano, colaborador habitual de Carvalhais, e particularmente Dominique Pifarély, violinista excelentíssimo, prodigioso na sua abordagem à música do trio. Se, em anteriores apresentações ao vivo, como na recente participação no festival 12 Points, na Casa da Música, já não restavam dúvidas quanto ao grau de maturidade e crescimento do projecto que reúne Carvalhais (contrabaixo), Gabriel Pinto (piano e teclados) e Mário Costa (bateria), aqui somos surpreendidos pela unidade e coesão do quinteto e pelo progressivo abandono de referências musicais bem identificáveis (em Nebulosa eram Weather Report, Herbie Hancock, entre outras) em favor de uma linguagem própria, altamente personalizada, meio caminho entre o jazz, a contemporânea erudita e a livre improvisação. Outro ponto a favor de Carvalhais é que este evita, a todo o custo, o facilitismo característico de grande parte da produção nacional e, onde poderia registar apenas um excelente álbum de jazz progressivo com solos intensos de saxofone e violino, opta antes por mergulhar de cabeça no universo da criação pura, do desconhecido, tornando-se um legítimo herdeiro da grande tradição jazz europeia dos anos 60 e 70. Ouça-se a entrada do trio em Capsule, seguido por algumas linhas intensas de Pifarély logo interrompidas pelo synth de Pinto, dando depois origem a um diálogo intenso e uma explosão de notas e sons que oblitera o tema sem piedade. Uma tempestade logo seguida por um dos temas mais envolventes do disco, Omega, com uma harmonia sedutora e misteriosa (com ecos de Blade Runner), e  pelo diálogo vibrante de Madrigal, com Parisien no comando das operações (atenção ao seu registo altíssimo). A paisagem lunar e fascinante de Amniotic encerra da melhor forma um álbum marcado pela personalidade de Carvalhais, uma das mais brilhantes certezas do jazz nacional.

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Publico review by Rodrigo Amado

Visões de excesso

Registo de um memorável concerto no Jazz em Agosto 2011, Snakelust é um fascinante vortex de energia, ruído e música. Rodrigo Amado

Peter Brötzmann / Paal Nilssen-Love /  Massimo Pupillo /  Toshinori Kondo Hairy Bones – Snakelust (CF 252)
[4,5 estrelas]
Gravado ao vivo na edição 2011 do festival Jazz em Agosto e assinalando a continuidade da parceria entre a Clean Feed e a Fundação Calouste Gulbenkian, Snakelust é um verdadeiro murro no estômago, mesmo para aqueles habituados às andanças do novo jazz. Liderado pelo lendário saxofonista germânico Peter Brotzmann e composto por Toshinori Kondo no trompete, Massimo Pupillo no baixo eléctrico e Paal Nilssen-Love na bateria, o quarteto eléctrico destila 53 minutos, ininterruptos, de puro magma free-jazz, num vortex de energia, ruído e música que tudo engole. Mas vejamos bem; numa audição atenta (apenas para os mais audazes) começam a vislumbrar-se nesta música, para além do impressionante e notável staying-power dos músicos, uma multitude de níveis de percepção do som, parecendo frequentemente que estamos a ouvir simultâneamente duas ou três bandas distintas, unidas pela espiritualidade intergaláctica que nos foi legada por Coltrane, Pharoah Sanders, Albert Ayler ou Sun Ra. Peter Brotzmann, actualmente com 71 anos de idade, surge aqui em grande forma, soprando de forma furiosa num equilíbrio instável entre o insano e o surprendentemente ponderado, assinando uma das suas performances mais electrizantes dos últimos tempos. Kondo, sempre certeiro, encarrega-se de injectar saudáveis doses de electrónica bem como algumas tonalidades bluesy, a evocar uma das suas maiores influências: Miles Davis. Quanto a Pupillo e Nilssen-Love, pouco há a dizer, excepto que é, provavelmente, a mais endiabrada, demolidora e tonitruante secção rítmica de que há memória, fazendo tudo por tudo para quebrar as barreiras razoáveis do som. Que se ouça o disco do princípio ao fim, com prazer e uma vibrante sensação de descoberta, é o que faz deste registo audição obrigatória para todos os que investigam os limites mais longínquos do jazz.

Jazzitis review by Ricardo Arribas

Hugo Carvalhais – Particula (CF 253)
El núcleo de este grupo está formado por Hugo Carvalhais, Gabriel Pinto y Mário Costa, los tres pertenecientes a esta estupenda cantera de nuevos músicos portugueses. Colaboran juntos desde hace varios años y este es su segundo disco publicado, cómo el anterior, por el interesante sello Clean Feed. Su atractivo primer disco “Nebulosa” ©2010 contaba con la inestimable presencia de Tim Berne cuya contribución aumentaba el interés de éste proyecto, pero las composiciones de Carvalhais mostraban una personalidad que en éste segundo disco se define con más precisión.

En “Particula” ©2012 el francés Emile Parisien, integrante del New Reunion Quartet de Daniel Humair y que colabora con el trío de Carvalhais regularmente, sustituye la presencia del saxo de Tim Berne, y al proyecto se añade el violinista Dominique Pifarely para formar un grupo de cinco músicos que se desenvuelven con sensata libertad por las elásticas composiciones de Carvalhais en las que la improvisación es un elemento fundamental, la sabia gestión del silencio y la sobriedad técnica de los músicos son otros de los atractivos de éste disco.   La imagen de la portada ilustra el contenido del CD, sugiere la aventura de una partícula luminosa que se relacionan con el todo, flotando en un espacio en el que no hay nada más que otras partículas generadas por su actividad.   La minimalista estructura de las composiciones se ayudan del sonido grueso y viscoso del contrabajo, no siempre presente, para desarrollar una arquitectura musical a veces frágil y delicada con amplios espacios vacíos, y otras corpórea y poderosa no exenta de contrastes dramáticos, pero expresados en un ambiente de calma y serenidad, con calculados saltos al vacío, a veces de espasmódica improvisación colectiva y a veces de limpio tratamiento puntillista, coloreado por algún detalle de ingrávida electrónica y de un atmosférico teclado eléctrico que aporta el halo de un pacífico misterio propio de la iconografía del espacio interestelar, así cómo suena.   Un disco dirigido a las sensaciones, de estética contemporánea, con virtuosas intervenciones del ámbito jazzero, pero la búsqueda del grupo va más allá de los territorios convencionales, una búsqueda que no se queda con las manos vacías, porque encuentra, y no el caos precisamente.
http://www.jazzitis.com/web/content/particula

Percorsi Musicali review by Ettore Garzia.

Hugo Carvalhais – Particula (CF 253)
Io scrissi un’articolo riepilogativo qualche tempo fa sulla vivacità del jazz portoghese (vedi post prec. sulla-scena-jazz-portoghese) e di come si fosse creato un ambiente nuovo ed ideale per nuovi stimoli creativi. Addolorato dalla improvvisa scomparsa del pianista Bernando Sassetti (a cui spero di poter dedicare un post in futuro), vi segnalo questa notevole incisione che viene dal contrabbassista Hugo Carvalhais, seconda per la Clean Feed.
Che i contrabbassisti siano ormai diventati degli ottimi compositori su questo non avevamo dubbi da tempo, ma in questo caso Hugo dimostra di essere qualcosa di più del “solito” compositore; ha una visione della musica che va oltre il jazz e che abbraccia la nobiltà della musica classica di stampo contemporaneo.
Partendo da un trio affiatato (Gabriel Pinto, al piano/organo/sintetizzatore e Mario Costa, alla batteria) che ha una radice strutturale nel mainstream jazz americano (si va da Holland a Redman), Carvalhais si impegna nel trasformare dinamiche e tema conduttore in modo da dargli nuovi contenuti, e per fare questo organizza i suoi sviluppi in tutt’altra maniera: in “Particula” il lavoro viene progettato per toccare la serialità, i vortici di suoni della contemporaneità, gli effetti sonici degli strumenti, per sottolineare i vuoti d’aria creati dall’organo che hanno un eco in quelli del Bitches Brew di Miles Davis; il tutto è espresso con una raffinatezza invidiabile ed è comunque un insieme di elementi inglobati all’interno di una struttura più ampia di jazz. Il primo disco di Hugo “Nebulosa”, vedeva Tim Berne al sax; qui l’apporto di Emile Parisien sempre al sax soprano e di Dominique Pifarely al violino conferisce uno spessore di serietà contemporanea ancor maggiore dell’esordio. Qui si gioca su una sorta di spettralità nel senso dei suoni, ossia non sono i suoni ad esserlo (completamente), ma è lo spirito della composizione a riprodurre quella sensazione. Pinto al piano è fondamentale per via di uno stile vario, che alterna note senza centro di gravità, scampoli di free jazz alla Cecil Taylor e un uso dell’organo molto vicino a Zawinul per le sue aperture, ma anche Costa è preparatissimo nel seguire le multiple strade che la ritmica propone. In generale tutto il disco vive di questa ibrida caratterizzazione tra jazz e classicità, che ricomprende tutte le principali acquisizioni che la musica jazz ha vissuto negli ultimi decenni: vi ci trovate Roscoe Mitchell e tutte le teorie della creatività imperniate sui concetti della composizione in rapporto all’improvvisazione….ma alla fine “Generator” vi sorprenderà per come interpreta la sintesi del jazz statunitense. Uno splendido disco di quello che comunemente si dice contemporary jazz.
http://ettoregarzia.blogspot.it/2012/09/hugo-carvalhais-particula.html?m=1

All About Jazz review by Mark Corroto

Hairybones: Peter Brotzmann/ Toshinori Kondo/ Massimo Pupillo/ Paal Nilssen-Love Snakelust (CF 252)
Any attempt to stop the fire breathing saxophonist Peter Brotzmann is certainly futile. We humans can only help to contain him.

Apparently one of the few ways to match the energy produced by the great man is to plug-in. With the band Hairybones, this is accomplished by trumpeter Toshinori Kondo utilizing electronic processing, bassist Massimo Pupillo wielding an electric bass and the Brotzmann’s batterie of choice these days, Paal Nilssen-Love muscling up on his kit. Recorded live at Jazz em Agosto in Lisbon 2011 this marks the third release for the Hairybones outfit following their self-titled 2009 Okka Records debut and the limited release Hairy Bones At Fresnes (Bro Records, 2009).

Brotzmann and Kondo collaborated in his Die Like A Dog quartet (with William Parker and Hamid Drake) and Pupillo, of the Italian avant jazz/rock trio Zu, is also a frequent collaborator. Here the energy rarely lags, and when it does you might hear Brotzmann wrestling his Bb clarinet or tarogato. Nilssen-Love at the ready with brushes, anticipating the (wait for it) rush of sound. An exhausting 53-minutes.
http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=42717#.UD5y5iKkeSq

All About Jazz review by Mark Corroto

Hugo Carvalhais – Particula (CF 253)
Listeners might have been introduced to Portuguese bassist Hugo Carvalhais because his initial release on Clean Feed included the American saxophonist Tim Berne. After an absence of documented recordings Berne was heard on Michael Formanek’s The Rub And Spare Change (ECM, 2010), Bruno Chevillon’s Old And Inwise (Clean Feed, 2011) and Carvalhais’ Nebulosa (Clean Feed, 2010). But of those who came for Berne, most stayed tuned into the bassist’s sound. His second outing finds him in company of his trio of pianist Gabriel Pinto and drummer Mário Costa, plus violinist Dominique Pifarély and soprano saxophonist Emile Parisien.

Carvalhais chooses to pursue a very modern sound, distinct from straight melody and yet flowing with consequences. The quintet forms and reforms into quartets, trios, duos and solos. He seems much more concerned with the maintenance of theme than melodies. That said, Particula is bound together by a constant energy. On “Generator” it’s the lift-off of Parisien’s saxophone flight. “Capsule” finds the melding of synthesizer with violin and bits of controlled tumult. Carvalhais is a master of keeping open forms somehow fettered, harnessing freedom for his own purposes.
http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=42717#.UD5y5iKkeSq

Citizen Jazz review by Franpi Barriaux

Hugo Carvalhais – Particula (CF 253)
Repéré avec Nebulosa, son premier album chez Clean Feed, sur lequel il avait invité le saxophoniste Tim Berne à se joindre à son trio, le jeune contrebassiste portugais Hugo Carvalhais propose une nouvelle fois avec Particula la rencontre comme motif d’exploration. Aux côtés du claviériste Gabriel Pinto et du batteur Mario Costa, qui témoignent de la vigueur du jazz lusitanien, on retrouve en effet le violoniste Dominique Pifarély et le saxophoniste soprano Emile Parisien pour un quintet très ouvert. Les deux Français apportent leur voix à une musique qui perpétue le propos du premier album : la traversée d’un continuum fait de ruptures et de limbes.

Particula explore plusieurs perspectives contradictoires. Quelles que soient ces dimensions, le mouvement du trio de base assigne à chaque improvisateur une large surface de liberté dans les interstices du silence. Dans l’infiniment petit de « Cortex », ce sont les brisures abstraites des cordes du piano qui s’abrasent au contact de celles de la contrebasse. Dans l’infiniment grand d’« Amniotic », en toute fin d’album, les deux invités du trio semblent se déliter dans un océan d’inconnu, bardé de textures synthétiques.

L’électronique sert ici de cartographie aux compositions. Remarquable travail de spatialisation des timbres, la musique de Carvalhais est très influencée par la peinture, qu’il a étudiée en autodidacte avant de se consacrer à la musique. Sur « Flux », long morceau qui ouvre l’album comme pour indiquer la direction à prendre, Pifarély et Pinto semblent sculpter avec douceur la nappe électronique qui les nimbe. Le violon cède peu à peu la place au soprano dans une continuité timbrale où seules les interactions entre improvisateurs diffèrent, telle une énergie continue circulant au cœur de la musique. Le style de Parisien, plus heurté, est l’interlocuteur idéal du jeu sec et très versatile de Costa, qui déborde de rythmiques rageuses. Au centre de ses échanges, à la fois fondamental et souvent très discret, Carvalhais impose un son très rond et indique sans autoritarisme les orientations à suivre. On appréciera sa belle introduction de « Simulacrum », qui révèle l’influence de Miroslav Vitous.

Particula est une structure mouvante, en perpétuelle régénération. Rares sont les instants où le quintet parle d’une même voix. Pour accentuer cette sensation de relief qui prévaut sur l’ensemble de l’album, Carvalhais favorise les duos et les enchevêtrements des trios. Sur un morceau comme « Generator », qui expose la puissance potentielle commune des cinq improvisateurs, comme dans le « Flux » inaugural, Pifarély et Parisien se passent le relais sans se croiser. Il en résulte un sentiment de déstabilisation étrange. On se laisse emporter, particule parmi les particules, dans le voyage onirique de Carvalhais. Ce nouveau disque est la confirmation du talent de ce contrebassiste, plus que jamais à suivre.
http://www.citizenjazz.com/Hugo-Carvalhais.html