Publico review by Rodrigo Amado

Hugo Carvalhais regressa em força às edições com um segundo álbum que o confirma como uma das mais brilhantes certezas do jazz nacional

Hugo Carvalhais – Particula (CF 253)
[4 estrelas]
Absolutamente extraordinário o impacto e surpresa deste segundo registo do contrabaixista e compositor Hugo Carvalhais. Aquilo que nos era prometido no excelente registo de estreia, Nebulosa, explode aqui em todas as direcções numa exuberante demonstração de criatividade e aventura musical. Em alguns dos temas, como em Chrysalis, pode mesmo falar-se em implosão, tal a intensidade da energia contida na música, como se todas as partículas vibrassem juntas para criar cada linha, cada nota musical. Determinante, em todo o disco, é a participação dos convidados Emile Parisien, no saxofone soprano, colaborador habitual de Carvalhais, e particularmente Dominique Pifarély, violinista excelentíssimo, prodigioso na sua abordagem à música do trio. Se, em anteriores apresentações ao vivo, como na recente participação no festival 12 Points, na Casa da Música, já não restavam dúvidas quanto ao grau de maturidade e crescimento do projecto que reúne Carvalhais (contrabaixo), Gabriel Pinto (piano e teclados) e Mário Costa (bateria), aqui somos surpreendidos pela unidade e coesão do quinteto e pelo progressivo abandono de referências musicais bem identificáveis (em Nebulosa eram Weather Report, Herbie Hancock, entre outras) em favor de uma linguagem própria, altamente personalizada, meio caminho entre o jazz, a contemporânea erudita e a livre improvisação. Outro ponto a favor de Carvalhais é que este evita, a todo o custo, o facilitismo característico de grande parte da produção nacional e, onde poderia registar apenas um excelente álbum de jazz progressivo com solos intensos de saxofone e violino, opta antes por mergulhar de cabeça no universo da criação pura, do desconhecido, tornando-se um legítimo herdeiro da grande tradição jazz europeia dos anos 60 e 70. Ouça-se a entrada do trio em Capsule, seguido por algumas linhas intensas de Pifarély logo interrompidas pelo synth de Pinto, dando depois origem a um diálogo intenso e uma explosão de notas e sons que oblitera o tema sem piedade. Uma tempestade logo seguida por um dos temas mais envolventes do disco, Omega, com uma harmonia sedutora e misteriosa (com ecos de Blade Runner), e  pelo diálogo vibrante de Madrigal, com Parisien no comando das operações (atenção ao seu registo altíssimo). A paisagem lunar e fascinante de Amniotic encerra da melhor forma um álbum marcado pela personalidade de Carvalhais, uma das mais brilhantes certezas do jazz nacional.

3 responses to “Publico review by Rodrigo Amado

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