Daily Archives: October 29, 2012

Blow Up Magazine review by Enrico Bettinello

PÃO – Pão (SHH002)
FILIPE FELIZARDO – Guitar Soli For The Moa And The Frog (SHH001)
Forte dell’eccezionale lavoro svolto nell’ambito dell’avant-jazz, l’etichetta portoghese Clean Feed patrocina una nuova sub-lbel dal bel nome Shhpuma e dedicata a proposte portoghesi emergenti nei linguaggi limitrofi alla sperimentazione di matrice jazzistica. Interessanti le prime due uscite: il trio di Lisbona, Pão (Pedro Sousa al tenore, TIago Sousa alle tastiere e il manipolatore elettronico Travassos) esplora mondi espansi in cui dilatazione e irrequietezza free si incontrano, senza timore di sintetizzare l’allucinatorio iterarsi della drone music con l’erratico melodiare degli improvvisatori liberi. Promettono molto bene.

John Fahey da un aparte e la ricerca improvvisativa più avventurosa dall’altra sono i riferimenti del chitarrista Filipe Felizardo, musicista in cui convivono una bluesness senza tempo e il miraggio di spazi desertici punteggiati da asteroidi fantasma. Mica Male!

The New York City Jazz Record review by Stuart Broomer

Angelica Sanchez Quintet – Wires and Moss (CF 259)
Pianist Angelica Sanchez presents a new band here, with a frontline of Tony Malaby on soprano and tenor saxes and Marc Ducret on guitar and a rhythm section of Drew Gress and Tom Rainey. It might be convenient to call it a quintet, but at times it hints at that ancient usage of “orchestra” for even the smallest number of musicians: there’s a breadth and a passion and a vision here that suggest great movements and the sweep of history. Sanchez’ compositions are essentially lyrical, whatever the tempo, and they draw on the expressive reserves of both Malaby and Ducret. The former’s sound is a kind of on-going mutation of the idea of breath with the latter’s a sometimes astonishing transformation of the human, his guitar a machine that has learned to speak its own language. The degrees of empathy and focused intensity come to the fore on “Soaring Piasa”, an almost anthemic melody first drawn from Malaby’s mutters, then carried forward by Sanchez’ lightly darting, abstract piano lines, the subtle under pinnings of Ducret, the power of Gress and the looming drama of Rainey all extending the range of motion until Malaby returns and tests the theme for every hint of meaning, expanding its phrases until new messages breakthrough the dense grain and wide vibrato of his sound. Each member of the group assumes the foreground, whether in solo spots or as a leading voice. “Dare” has Rainey at his most abstract, a central figure in a dialogue in which other musicians may keep time while he plays with, plunders and ultimately trivializes its conventionality. Sanchez’ structure is made for it, an elastic vision in which that play of time ultimately becomes a kind of five-ring circus, the various speakers bending the notion of time toward a lyric center. This quintet might be an ideal vehicle for Sanchez, whether the musicians are picking up strands of meaning in her work or adding their own (like Ducret’s intro to the title track or that of Gress on “Bushido”), enriching them all and creating a richly layered field of interpretation and realization around each theme.

The Wire review by Bill Meyer

Felipe Felizardo – Guitar Soli For The Moa And The Frog (SHH 001)
Pão – Pão (SHH 002)

Not satisfied with being one of the 21st century’s most productive jazz labels, Lisbon based Clean Feed has spun off a new imprint called Shhpuma. Its first two releases distinguish themselves from the parent company’s output by maintaining only the barest relationship to jazz.

Pão might, if you’re squinting right, look like a jazz trio. Pedro Sousa wields that most iconic of jazz horns, the tenor sax, and Tiago Sousa plays keyboards, harmonium, and percussion. Third member Travassos ruins the image by sitting at a table covered with tape players, circuit-bent appliances, and diverse amplified objects.

Sousa has definitely cocked his ear to the more extrovert side of saxophonic extended technique; his vocabulary of thick flutters and nimble high notes owes a lot to Mats Gustafsson and John Butcher. But Sousa’s keys hew closer to the wide world of contemporary drone, and his percussion works mainly to raise the music’s pitch ceiling, not assert a pulse.

There are points where Travassos’s machinations flicker at the edge of audibility, leaving small abrasions upon the music’s surface; but at other times he joins his partners in a three-layer sandwich of longtone drift. Even at its slowest, the music pursues a forward momentum that enhances its approachability. Like the Scandinavian trio Fire! and the multinational Koboku Senju, they apply sounds legitimised by early generations of European improvisors to more linear ends.

When guitarist Filipe Felizardo plays with Sousa in the trio Acre, his playing is crusty with distortion and savage enough to suggest he’s spent some time listening to the right Sonny Sharrock records. But on his own he steers clear of effects, which makes his links to the blues much clearer. Felizardo juxtaposes harsh, misshapen chords with warped strips of continuous sound that sound like the result of some bowing technique.

The guitarist never utters a word, but his titles position this album as protest. The album is named for one animal wiped out by man and another that is well on the way. The emptiness that rises up over each sound Felizardo plays echoes the spaces that humanity opens around itself as it perpetrates extinction after extinction. But even without the names, the baleful vibe of Felizardo’s playing is compelling.

Bodyspace review by Paul Cecílio

Filipe Felizardo – Guitar Soli For The Moa And The Frog (SHH 001)
Sagrou-te, e foste desvendando a Shhpuma.

Primeira edição da recém-criada editora Shhpuma, Guitar Soli For The Moa And The Frog é um disco cuja sonoridade provoca, e é criada a partir da, contemplação e reflexão. Todo ele construído à base de laivos de guitarra, praticamente sem efeitos ou outras distracções, Guitar Soli… é quase como um ser vivo: caminha, pausa para respirar e para se alimentar, prossegue a viagem pela rota do blues cósmico; o silêncio, aqui, é utilizado ele próprio como se fora um instrumento, mostrando-se tão importante como as frases que vão eclodindo dos dedos de Filipe Felizardo.   É um modus operandi que se traduz num belíssimo disco. Contando uma história através de oito faixas, que serão melhor apreciadas lendo as liner notes do CD de forma a poder construir paisagens imaginárias auxiliadas pela música, Guitar Soli… vive não da tensão entre o silêncio e o som, como por vezes acontece neste género de abordagens, mas da simbiose. Quando a música trava, a ausência toma forma; quando regressa, fá-lo de modo gentil e não abrupto, preenchendo esse vazio como um pulmão se enche de oxigénio. Reside aqui a sua maior força, esta conjugação entre dois mundos à partida distintos – mas, ao invés da citação que diz que a escuridão é a ausência de luz, em Guitar Soli… o silêncio não é de todo a ausência de música.   Parece ser sobretudo o amor pela guitarra, eléctrica ou acústica, como em “Of The Excrement And The Frog”, o alvo principal do pensamento que levou à composição deste disco, por ser um objecto de ligação entre o homem e o que o rodeia, quer a terra quer o cosmos; é a pena com que Felizardo, em modo poeta, redige os versos de Guitar Soli For The Moa And The Frog de forma eficaz e que preencherão a alma dos leitores que se aventurarem. Está aqui um dos mais belos “discos de guitarra” que ouviremos em 2012.
http://bodyspace.net/discos/2337-guitar-soli-for-the-moa-and-the-frog/

Bodyspace review by Nuno Catarino

The Fish  – Moon Fish (CF 254)
Free jazz bruto, bem bom.
Habitualmente ligado às correntes de improvisação reducionista, o saxofonista Jean-Luc Guionnet tem desenvolvido em paralelo trabalho numa linha de free jazz mais bruto. Com o grupo The Ames Room editou recentemente, também na Clean Feed, um outro disco em formato trio que explorava esse universo – Bird Dies, uma faixa única de quase cinquenta minutos de portentosa exploração sonora.   Tal como acontece no trio The Ames Room, onde colabora com Clayton Thomas e Will Guthrie, nestes The Fish o saxofonista segue numa linha de free jazz clássico, apresentando um som forte, assente pura e simplesmente na improvisação. Nestes The Fish, trio exclusivamente francês, Guionnet tem como parceiros Benjamin Duboc no contrabaixo e Edward Perraud na bateria (um dos seus colegas de grupo no quinteto “near-silence” Hubbub).   Gravado ao vivo no Fundão, a música este disco divide-se em três temas (de cerca de 16, 18 e 6 minutos), onde o trio expõe a fisicalidade impetuosa da sua música. Não há aqui qualquer subtileza ou contenção – quem quiser ouvir Guionnet e Perraud nesses registos deve seguir directo para o trabalho dos Hubbub ou projectos paralelos. O que aqui se ouve é música feroz, ríspida e árida: saxofone em permanente desafio, contrabaixo e bateria em constante propulsão. Rugosa, tumultuosa, vibrante, conflutuosa, incandescente, esta música não pede licença para rasgar. Isto é nervo, isto queima.
http://bodyspace.net/discos/2372-moon-fish/

Le Son du Grisli review by Guillaume Belhomme

Platform 1 – Takes Off (CF 255)
Au nombre des projets de Ken Vandermark, il faudra désormais compter avec Platform 1, qui l’associe à deux recrues de Resonance (Magnus Broo, Steve Swell) ainsi qu’à Joe Williamson (contrebasse) et Michael Vatcher (batterie). Les 5 musiciens se partagent les compositions.   Ce qui d’abord implique la mise en place d’un brass band affolé (Tempest, épreuve dolphyenne signée Swell, combinée à 2A>2B de Broo) au sein duquel le saxophone ténor jouera des coudes avant de plier sous la force d’un vent latin. Imposant Station, Vandermark répond à l’affront qui lui a été fait par une pièce de réflexion, qui joue d’unissons et de gimmicks mêlés. La trompette de Broo y trouve à dire autant que sur Compromising Emanations (Swell) à l’occasion des récréations que la composition réserve aux instruments à vent.   Le sombre climat de Deep Beige (Williamson) prouvera encore qu’une émotion profonde peut être exprimée pleinement quand un hommage à Roswell Rudd (In Between Charis, Vandermark) rétablira la balance en offrant à Williamson et Vatcher le soin de conduire un bel exercice de bop outragé. Et Takes Off aura tout dit ; pleinement.
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