Diário de Noticias review by João Moço

A dupla Paul Lytton/Nate Wooley juntou-se a Ken Vandermark e Ikue Mori e juntos criaram das obras mais indefiniveis e inventivas da atual música improvisada.

CF 260Paul Lytton/Nate Wooley + Ikue Mori & Ken Vandermark – The Nows (CF 260)
Classificação: 5/5
Free Will, Free Won’t, o título da faixa que abre este álbum duplo liderado pela dupla Paul Lytton/Nate Wooley avança desde logo com o que poderemos esperar deste duplo álbum, onde também marcam presença Ikue Mori e Ken Vandermark. The Nows é um disco de total liberdade, seja em relação a amarras estéticas, a regras tecnicistas ou à tendência da divisão compartimendada da música. Porque o que se ouve ao longo desta mais de hora e meia de música não se pode definir enumerando apenas um mar de géneros musicais ou de referências.

Paul Lytton é um nome que dispensa apresentações. Baterista maior, surgido em finais dos anos 60 na cena free jazz londrina, tem marcado presença regular em discos de Evan Parker. Nos últimos anos juntou-se a Nate Wooley, aquele que é, a par de Peter Evans, um dos mais talentosos trompetistas da atualidade. Bem mais que uma promessa, já que Wooley tem constantemente provado uma versatilidade que o leva dos terrenos mais experimentais até ao apuro lírico de composições mais estruturadas (oiça-se o disco e 2011 do seu quinteto).

Juntos, Paul Lytton e Nate Wooley decidiram convidar para partilhar consigo o palco Ikue Mori com as suas explorações electrónicas e, noutro momento, o saxofonista Ken Vandermark, um dos mais sólidos instrumentistas de jazz do momento.

O resultado destas uniões só se poderia aproximar do histórico. O primeiro disco, gravado com Ikue Mori, é o que leva os músicos envolvidos para terrenos mais exploratórios, onde subtis texturas electrónicas se encontram com a força improvisadora de Wooley e Lytton. Nate Wooley consegue, simultaneamente, explorar as muitas valências sonoras do seu trompete, com ou sem efeitos, mas querendo, sobretudo, encontrar nele uma manta de criação sonora irrepetível e que, mesmo assim, mantém vincada a sua personalidade.

Já o segundo disco, gravado com Ken Vandermark, é aquele em que Nate Wooley e Paul Lytton mais se aproximam dos terrenos conhecidos do free jazz, levados pela mão de Vandermark. A interação entre os três músicos revela uma extrema cumplicidade, que é de aplaudir. Juntos também desbravam novos caminhos dentro do que é hoje a música improvisada, mas com uma sabedoria do que tem sido a história do jazz, o que lhes dá uma bagagem também técnica que permite que o resultado final seja extremamente criativo.

Se o título da faixa de abertura deste disco aponta logo para o que podemos encontrar neste álbum duplo, na verdade, o título do disco é suficiente: The Nows. Isto é o que agora e o agora múltiplo nas suas possibilidades inventivas.
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3029027&seccao=M%FAsica&page=-1

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