Jazz.pt review by Gonçalo Falcão

PrintMade to Break – Lacerba (CF 274)
Classificação: 4,5/5

Com quase trezentos CDs editados em 12 anos, a Clean Feed lança agora o seu primeiro LP. E porque o primeiro de alguma coisa é sempre um momento especial, trata-se do registo em Lisboa de um grupo inédito de Ken Vandermark, Made to Break, com Christoff Kurzmann, Devin Hoff e Tim Daisy. Foram três dias de concertos gravados por João Serigado, dos quais se seleccionaram os melhores minutos para prensar dois discos: o CD “Provoke”, já lançado, e agora o LP “Lacerba”.
A novidade no som é grande, sendo claramente um disco vandermarkiano. O grupo parece seguir as pisadas de Spaceways Inc., o grupo mais “funky” do saxofonista, mas as personalidades dos instrumentistas e a utilização de composições abertas fazem a música inclinar-se para direcções mais abstractas: se numa pintura é fácil apercebermo-nos da sua estrutura – pois ela apresenta-se inteira aos nossos olhos e identificamos padrões, áreas, formas de organização –, na música essa percepção é muito mais difícil, pois ela desenrola-se no tempo e nem sempre conseguimos perceber o sentido e a organização dos sons.   Vandermark tenta resolver este problema criando pontes de ligação com o ouvinte: no meio de uma enorme liberdade aparecem linhas de baixo, “grooves” que nos ajudam a simpatizar com a música, a entrar no tema e a construir pontos de contacto. Em suma, a arranjar elementos que reconheçamos e com os quais nos possamos envolver. O que ouvimos é a procura de um compositor para criar novos caminhos para o jazz, novas formas de o fazer funcionar, mantendo-o disfuncional.
A prensagem em vinil está boa e tem um bom som, mas a capa merecia (pelo menos) um cartão com maior gramagem. Quem compra discos de vinil fá-lo por três razões: porque acredita que o som do vinil é melhor que o do CD (o que nestes discos ao vivo é difícil de avaliar), porque valoriza o objecto (a dimensão visual e táctil do vinil faz com que este contentor para os sons seja muito mais afectuoso do que o CD) ou ambas.
Esta forma de usar a composição e a improvisação para estruturar a música faz parte de uma procura de futuros para o jazz. Esse sentimento revolucionário está patente em todos os aspectos do disco, desde o formato de reprodução aos títulos (Lacerba era a revista futurista italiana de Aldo Palazzeschi e Italo Tavolato, impressa a preto e vermelho).
O lado A, chamado “Vita Futurista”, é dedicado a DickRaaijmakers, compositor e dramaturgo holandês nascido em 1930, e o lado B, “Pursuit”, é uma homenagem ao escultor suíço Alberto Giacometti. Imperdível.
http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2013/04/06/made-break-lacerba-clean-feed/

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