Jazz.pt review by Bernardo Álvares

CF 283Pascal Niggenkemper Vision 7 – Lucky Prime (CF 283)
Pascal Niggenkemper reúne neste primeiro álbum em septeto o experiente Frank Gratkowski, o cada vez mais presente Christian Lillinger e um conjunto de jovens improvisadores, ainda ilustres desconhecidos do público em geral: Emilie Lesbros, Eve Risser, Fratz Loriot e Els Vandeweyer. Provenientes de França, Alemanha e Bélgica, estes músicos sob orientação de Niggenkemper funcionam como um “Art Ensemble of Central Europe” num universo branco pós-globalização. Sem esquecerem as suas formações clássicas europeias, os Vision7 conseguem um “groove” dificilmente ouvido fora dos United States of Black America.

O contrabaixo certeiro de Niggenkemper empurra para primeiro plano a voz de Emilie Lesbros, que oscila entre uma Brigitte Fontaine do Séc. XXI e uma Neneh Cherry francesa (lembrem-se do Cherry Thing, que uniu há um ano a enteada de Don Cherry com o trio de garage-jazz The Thing). Tanto a recitar os seus textos em “spoken word” como a explorar a sua voz com vocalizações pertinentes, a vocalista consegue uma real comunhão com os restantes músicos, sendo, a par do contrabaixista, a figura de maior destaque neste álbum.

Composto por oito faixas, este disco gravado ao vivo no Vive le Jazz Festival em Colónia deve ser ouvido como um todo. À maneira de uma suite contemporânea, o álbum passa por diversas estéticas e explosões de intensidade (particularmente nas peças que contam com Lesbros), mantendo sempre um sentido de coerência e diversas explosões de intensidade. Os temas sem voz tendem a ser sentidos como interlúdios, com espaços para os outros músicos mostrarem as suas competências sem cair nos clichés solísticos dos concertos de jazz. É de destacar o trabalho interessantíssimo do violetista Fratz Loriot, figura principal na faixa “Ke belle”.

Dois bons temas para resumir o CD são “Carnet plein d’histoires”, um free funk de câmara, e “I Don’t Know Why, But This Morning…”, que vive de um equilíbrio muito ténue com um free altamente arrítmico apesar de soar sempre a um jazz mais tradicional.

Em suma, este “Lucky Prime” é um sério candidato às listas de melhores do ano, evidenciando a grande sensibilidade de composição de Niggenkemper e apresentando uma jovem Europa criativamente efervescente.
http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2013/11/24/pascal-niggenkemper-vision7-lucky-prime-clean-feed/

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