Daily Archives: December 16, 2014

The Big City Best of 2014 list by Bill Meyer’s

Best Jazz Albuns of 2014
Best New Releases:

1 Steve Lehman Octet, Mise En Abîme (Pi)
2 Trio 3 & Vijay Iyer, Wiring (Intakt)
CF3063 Joe Mor­ris Quar­tet, Bal­ance (Clean Feed)
4 Mark Turner Quar­tet, Lathe of Heaven (ECM)
5 Ken Thom­son and Slow/Fast, Set­tle (NCM East)
6 Fred Her­sch Trio, Float­ing (MRI)
7 Tom Har­rell, The Audi­to­rium Ses­sion (Parco Della Musica)
8 Jochen Ruek­ert, We Make the Rules (Whirlwind)
CF 2939 Kul­ham­mar, Aal­berg, Zetter­berg, Base­ment Ses­sions Vol. 2 (Clean Feed)
10 PRISM Quar­tet, People’s Emer­gency Cen­ter (Innova)

http://thebigcityblog.com/best-jazz-albums-2014/

Magnet’s Best of 2014 list by Bill Meyers

Magnet’s Bill Meyer picks the best jazz/improv releases of the year

1 Kyle Bruckmann’s Wrack …Awaits Silent Tristero’s Empire (Singlespeed)
2 Brötzmann Adasiewicz Edwards Noble Mental Shake (Otoroku)
3 AMM Place Sub. V. (Matchless)
CF 2894 Matt Bauder And Day In Pictures Nightshades (Clean Feed)
5 Rob Mazurek Mother Ode (Corbett Vs. Dempsey)
6 Russ Johnson Meeting Point (Relay)
7 Cymerman Wooley Parker World Of Objects (5049)
8 Steve Lehman Octet Mise En Abîme (Pi)
9 Keir Neuringer Ceremonies Of The Air (New Atlantis)
10 Travis Laplante’s Battle Trance Palace Of Wind (New Amsterdam)

http://www.magnetmagazine.com/2014/12/04/best-of-2014-jazzimprov/

Le Son du Grisli review by Guillaume Belhomme

CF 289Matt Bauder and Day in Picture – Nightshades (CF 289)
En ces temps de Blue Note Revival, écouter Matt Bauder creuser en profondeur les vieilles symétries n’est pas pour me déplaire. Et ne pas voir en lui l’un des musiciens les plus investis du moment en dit assez long quant à l’imbécilité de la jazzopshère.

C’est que Matt Bauder possède plus d’une corde à son arc. Ici, dans ce territoire vaguement sixtie-Blue Note, il conteste le copier-coller et fonde ses interventions sur des tumultes que n’atteindront jamais les (très) surévalués petits princes des revues en papier glacé. Car Bauder sait comment ériger un chorus et comment troubler les cadres. Et c’est aussi ce que sait faire un Nate Wooley, trompettiste aux courbes ruades. Et tandis que Kris Davis (remplaçant ici Angelica Sanchez) impulse quelque harmonie mensongère, Jason Ajemian et Tomas Fujiwara érigent quelques imposantes cathédrales. Viennent alors à nos oreilles cette science des temps mêlés. Temps mêlés et jamais scellés.

http://grisli.canalblog.com/archives/2014/12/01/31051331.html

All About Jazz review by Glenn Astarita

CF306Joe Morris Quartet – Balance (CF 306)
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After several albums and great synergy, guitarist Joe Morris disbanded the quartet in 2000 with many of his associates stating it was a “terrible idea.” For this reunion, the musicians’ artistic evolution surges on via a conglomeration of diminutive and soaring theme-building episodes, asymmetrical footprints, and staggered detours, instilling a continual sense of anticipation.

The gala is off to a rousing start on “Thought,” fostered by Mat Maneri’s buzzing viola passages, and the unit’s synchronous improvisational attack, as the musicians’ fluent, Johnny-on-the spot courses of action remain a constant throughout. However, they temper the pulse with the brooding “Trust,” where Morris’ dark-toned electric lines, executed with twirling flurries and intricately devised constructions, form a clustering effect atop bassist Chris Lightcap’s huge bottom. Otherwise, the band abides by a fast and furious gait as they navigate through a maze of micro-motifs, churning out cohesive statements along the way.

The quartet closes the program with the twelve-minute “Meaning,” instigated by Morris’ flickering notes; Lightcap’s linear phrasings and shrewd counterbalancing techniques. Drummer Gerald Cleaver’s textural cymbals swashes help broaden the backdrop, as Maneri rides above the musical horizon amid a fractured and twisting solo spot. Hence, the ensemble works toward a centralized focus, while gradually narrowing the overall soundscape in spots. Cleaver also imparts a sweeping solo in the bridge section, ratifying an expansive plane to complement the effervescent groove. Among other positives, Morris’ quartet is a unit you can count on for extending the limits of whatever improvisational model(s) they process, coinciding with the artists’ dynamic interactions and dizzying rhythmical measures.

http://www.allaboutjazz.com/balance-joe-morris-clean-feed-records-review-by-glenn-astarita.php?width=1024

Jazz.pt review by Nuno Catarino

CF306Joe Morris Quartet – Balance (CF 306)
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O novo “Balance” marca o regresso de Joe Morris ao seu quarteto dos anos 1990. A guitarra de Morris volta a contar com a companhia de Mat Maneri na viola, Chris Lightcap no contrabaixo e Gerald Cleaver na bateria. O prolongado tempo de hibernação não se faz notar e, com toda a naturalidade, a elevada qualidade dos instrumentistas acaba por encontrar paralelo na dimensão colectiva da música. Segundo Morris escreve nas “liner notes” que para estúdio levou apenas algumas ideias melódicas para a sua guitarra, deixando os seus parceiros a improvisar sem qualquer referência. A verdade é que o quarteto cedo revela uma magnífica união, sem necessidade de material escrito para encontrar a orientação comum.

Morris tem um raro som aveludado, como que vindo de outra época, mas encaixando-se na perfeição em qualquer ambiente, e até em música completamente aberta. A viola de Mat Maneri confirma tudo o que se disse sobre este ao longo das últimas duas décadas. Chris Lightcap é, sem dúvida, um dos grandes deste século. Além de inúmeras colaborações, editou o óptimo “Deluxe” na “nossa” Clean Feed. A bateria de Gerald Cleaver é capaz de uma versatilidade rítmica sem limites.

A secção rítmica não se mostra apenas sólida como também inventiva, lançando faíscas a todo o momento. Morris encontra em Maneri um companheiro à altura, fervilhante de ideias, numa parceria que emana fulgor. Entre estes quatro músicos – Morris, Maneri, Lightcap e Cleaver – a comunicação é permanente. Assistimos a um diálogo constante que faz a música evoluir de forma consistente, sem choques, com toda a segurança.

Uma das faixas mais interessantes (e algo atípica no alinhamento) é a terceira, “Trust”. Neste tema lento a percussão de Cleaver fica-se pelas vassouras, o contrabaixo de Lightcap é um eixo central (primeiro no arco, depois na pulsão como motor), a viola de Maneri deixa-se levar pela imaginação e a guitarra de Morris contrapõe notas sóbrias. Bem fez Morris ao ressuscitar este quarteto de boa memória. Desmentindo a ideia popular, nunca é tarde para se voltar aos locais onde já se foi feliz.

http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/12/02/joe-morris-quartet-balance-clean-feed/

Jazz.pt review by Bernardo Álvares

CF295Sei Miguel – Salvation Modes (CF 295)
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No texto que acompanha o CD, Pedro Costa (que o assina) explica que este “Savation Modes” marca o início de uma nova fase de Sei Miguel, uma vez que este não pretende escrever mais música nova, mas sim trazer para fora todo um repertório que tem estado fechado na gaveta ao longo de 30 anos de actividade.

“Prelúdio e Cruz de Sala” (2002-2012), o primeiro tema, gira em volta da guitarra de Pedro Gomes, que ora oferece uma harmonia estranha mas subtil, ora oferece um leito a uma composição muito rica timbricamente, ora explode em picos de intensidade, sobrepondo a electricidade aos sopros e à percussão. Nesta peça de abertura podemos ouvir Sei Miguel em grande forma e com todo o potencial do seu Unit Core (Mariam, Gomes e Burago).

Numa formação da qual apenas se repete César Burago, ouvimos “Fermata” (2005), que nos mostra um Sei Miguel diferente, a montar um “puzzle” de jazz cirúrgico. É este o mundo introspectivo de Sei Miguel, escreve Pedro Costa. Os graves quebrados de Margarida Garcia e a envolvência enigmática da percussão de Burago e da electrónica de Gonçalves completam este tema, que termina repentinamente para se dar início à “Cantata Mussurana” (1996-2012).

A terceira peça, escreve Costa, baseia-se num ritual de purificação crioulo. A voz de Djabaté a contar uma história comanda esta cantata, com os outros músicos a intervir em aproximações e afastamentos. Apesar de uma base quase constante do baixo saltitante de Lourenço, da bateria armadilhada de Desirat e das percussões precisas de Burago, podemos ouvir uma música espaçada, com a mini-orquestra electroacústica a intervir nos momentos mais oportunos, numa constante gestão de tensões.

Embora muito diferentes entre si, estes três temas encontram uma coerência, fazendo deste “Salvation Modes” um objecto que merece toda a atenção.

http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/10/11/sei-miguel-salvation-modes-clean-feed/

Jazz.pt review by Gonçalo Falcão

CF302Gorilla Mask – Bite My Blues (CF 302)
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Descobrir novos caminhos para o punk através do jazz pode parecer um absurdo, mas na verdade é por aqui que podemos pegar neste disco. O “powertrio” de Peter Van Huffel tem a energia e a intensidade do punk rock e alarga-as através das improvisações do saxofone. Esta é uma banda capaz de dar um estalo na cara daqueles que esperam pela vida como quem espera pelo metro ou por um abaixamento de impostos.

Estão em campo duas ideias diferentes. Por um lado a repetição tribalista, surgida no rock com Bo Diddley, em que os instrumentos são percutidos e a guitarra é um tambor que acentua o ritmo, e por outro a enorme capacidade melódica que ouvimos nos Ramones. E enquanto a banda arrasa a sala com o seu poder rítmico, o saxofone navega naquela hecatombe em solos lindíssimos que nunca perdem a carga nem a espontaneidade.

Dave Wayne descreveu, no texto que acompanha o disco, o som de Huffel como «o tom cavernoso de Arthur Blythe com a euforia repetitiva de David S. Ware» e eu não consigo fazer melhor. Parece uma descrição científica. O disco do trio alemão foi gravado ao vivo em Toronto e capta com vividez toda a força e energia do grupo e a sua capacidade de improvisar.

A música deste trio de jazz faz muitos grupos de rock parecerem o Noddy: alarga o cérebro, empurra-nos para a frente. É fortíssima e muuuuuuito boa, mesmo quando adopta formas do jazz clássico (“Fast & Flurious”). A Alemanha gosta dos extremismos e neste caso ainda bem, pois este jazz cru, cheio de rock, suburbano, adolescente, prova que o destino destina mas nós também temos de fazer por isso. Não há caminhos, há que caminhar.

http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/08/24/gorilla-mask-bite-my-blues-clean-feed/

Jazz.pt review by Gonçalo Falcão

CF307Adam Lane’s Full Throttle Orchestra – Live in Ljubljana (CF 307)
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Gravado ao vivo na 53ª edição do Festival de Jazz de Ljubljana (2012), um dos mais antigos do mundo, surge o grande disco de Verão deste ano, que estou certo vai invadir as pistas de dança. A música de Adam Lane é belíssima, misturando o “swing” do jazz clássico com a “soul” do hard bop e com o “groove” do funk (ou não fosse Lane um contrabaixista).

Apesar de ser um grupo relativamente pequeno, com oito elementos, a música soa claramente orquestral, com os dois trompetes (Nate Wooley e Susana Santos Silva), o trombone (Reut Regev) e os três saxofones (Matt Bauder, David Bindman e Avral Fefer) a construírem uma máquina que obriga o corpo a mexer-se e o pé a bater. “Fitness” para as sinapses do ritmo.

Tudo parte de linhas de baixo “funky”, com o som cheio do contrabaixo de Lane, que faz inveja a qualquer disco da Motown. À volta, várias melodias belíssimas são entregues pelos metais, que ora atacam em grupo ou desenvolvem formas complementares. O uníssono dos metais não tem o rigor ellingtoniano, o que gera um sentido de descontracção agradável e contemporâneo.

Ambientes muito bem criados, dançáveis, com canções apropriadas para dias de sol e ar livre, música luminosa, muito bem tocada, com excelentes solos. O que é que se pode pedir mais?

Numa época de duos e trios porque não há dinheiro para mais, a Full Throttle vai seguindo um caminho interessante (Cadence 2001, Clean Feed 2006 e 2009), a que se junta agora esta gravação de 2012. Lane é um grande contrabaixista da actualidade, com um som notavelmente forte e poderoso e uma musicalidade bela e simples. A música que escreve e a forma elegante como esta orquestra a pratica colocam este disco obrigatoriamente no leitor de CDs de quem quer viver bem um dia de Verão (mesmo no Inverno).

http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/08/25/adam-lanes-full-throttle-orchestra-live-ljubljana-clean-feed/

Jazz.pt review by Gonçalo Falcão

CF300LPPharoah & The Underground – Primative Jupiter (CF 300 LP) / Spiral Mercury (CF 301)
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Em boa hora (2009) a Gulbenkian começou a permitir a edição de alguns dos seus concertos no Jazz em Agosto. Pena é que esta ideia não tenha começado em 1983, para podermos hoje ter discos de elevadíssima qualidade gravados no Anfiteatro ao Ar Livre. Circulam cópias de alguns desses concertos na Internet (Sun Ra, por exemplo), dando a perceber que se perderam notáveis registos musicais.

Os dois novos itens da Jazz em Agosto Series da Clean Feed são um CD e um LP de Pharoah & The Underground, e apesar da mesma capa, o compacto e o vinil têm conteúdos diferentes, pois as quase duas horas de concerto possibilitaram a partição: o LP “Primative Jupiter”) traz dois temas que não estão no CD e este (“Spiral Mercury”) cinco que não se encontram na outra edição. Más notícias para os bolsos.

O concerto que encerrou o festival do ano passado (e que esteve em dúvida devido a problemas de saúde do histórico saxofonista) juntou Pharoah Sanders a uma formação que fundiu o Chicago e o São Paulo Underground (ambos os grupos liderados pelo cornetista e compositor Rob Mazurek).

Mazurek é o centro de toda a acção, não só pelas suas gigantescas capacidade melódica e inteligência musical – o seu ouvido, em suma – como enquanto estratega, capaz de visionar ideias para palco. As duas formações têm personalidades muito diferentes: na São Paulo Underground predomina a electrónica “lo-fi”, suja e em reprocessamento dos sons da música popular brasileira (cavaquinho, cuíca), com uma expressividade completamente nova (ou seja, não colada ao estereótipo brasileiro). Já o Chicago Underground gosta de territórios completamente diferentes, com o baixo eléctrico em linhas repetitivas que prendem toda a música e a bateria a construir uma base infernal, dando sentido às melodias que Mazurek desenvolve.

Ao vivo, os dois grupos adaptaram-se perfeitamente, com os de Chigago a marcarem ritmos e os de São Paulo a aceitá-los, acentuando a componente tímbrica. Ouvido agora com mais detalhe e repetidamente, a impressão inicial – boa – afina-se para melhor. É o cornetista que define os temas e lança a estrutura da melodia, deixando Sanders livre para solar. O jazz “afro-cósmico-espiritual” de Sanders continua a funcionar e o seu sopro permanece lírico e espiritual, mas agora mais discreto e menos interventivo.

O saxofone aparece a espaços, sem muita força, optando muitas vezes por surgir sob o trompete de Mazurek, como se o quisesse acentuar e colorir. Mais próximo do Miles eléctrico do que de Coltrane, Pharoah actua com um radar que capta e desenvolve ideias. Usa muitas vezes linhas melódicas longas e tranquilas, como se preferisse surfar aquela onda calmamente do que intervir com solos inflamados, como cabe a uma estrela. O resultado é claramente mais interessante assim, sem o Pharoah que se esperaria (e que o título do disco sugere), mas com uma música globalmente muito boa de ouvir.

É ainda melhor assim porque, em vez de a lenda se museografar, tocando o que já lhe conhecemos e o que dele esperamos, reinventa-se, num contexto diferente, onde passa a ser só mais um. Não é menos lenda por isso, mas é muito mais viva.

http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/08/24/pharoah-underground-primative-jupiter-spiral-mercury-clean-feed/

Jazz.pt review by Nuno Catarino

CF309CDCortex – Live! (CF 309)
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O quarteto norueguês apresentou-se ao público português para dois concertos: actuou primeiro no festival Jazz im Goethe Garten (promovido pelo Goethe Institut, em Lisboa) e nas renovadas instalações da SMUP – Sociedade Musical União Paredense (Parede). O motivo da visita foi a edição, através da “label” lusa Clean Feed, do mais recente disco do trio, simplesmente designado “Live!”.

Conforme o título afirma desde logo, esta música foi gravada ao vivo, registando-se aqui uma actuação do grupo no Nasjonal Jazzscene Victoria, em Oslo, de Setembro do ano passado. Este é o terceiro volume da discografia do grupo, na sequência de “Resection” (Bolage Records, 2011) e “Göteborg” (Gigafon Records, 2012).

O grupo assenta na fórmula de quarteto clássico com dois sopros. Entre os integrantes talvez o mais conhecido seja o baterista Gard Nilssen, que já tocou em Coimbra com os Zanussi 5 e participa em projectos tão diversos como Bushman’s Revenge, Puma, Spacemonkey, Trondheim Jazzorchestra e Lord Kelvin (belo nome). A estratégia do colectivo é directa: temas simples, que são expostos sem artifícios, e um desenvolvimento vigoroso, marcado pela entrega individual. Será difícil classificar a música do quarteto evitando o qualificativo “enérgico”, por isso deixemo-nos de rodeios: esta música é incrivelmente forte, intensa, enérgica.

Conforme se ouve neste disco (e como se confirmou ao vivo no Goethe e na SMUP), o quarteto ataca cada tema com a típica eficácia dos nórdicos. Saxofone e trompete desenham solos recheados de ideias, e vão dialogando entre si bastas vezes. Contrabaixo (Høyer) e bateria (Nilssen) são uma verdadeira máquina de propulsão, alimentando crescendos fulgurantes.

A simplicidade das composições contrasta com o seu desenvolvimento, que evolui para formas imprevisíveis. A única excepção à vertigem contínua do álbum é só mesmo o último tema, com o quarteto numa toada baladeira, mais sentimental. A banda diz assumir as heranças de Ornette Coleman com Don Cherry e John Zorn com Dave Douglas – na sua vivacidade e frescura, esta música representa um digníssimo respeito pela tradição.

http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/07/24/cortex-live-clean-feed/