Tag Archives: Christoff Kurzmann

Time Out Lisboa review by Jose Carlos Fernandes

clean feed made to break layout TEXTO DIFERENTE - ROJOMade To Break – Provoke (CF 273) 
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Mais um projecto do incansável saxofonista Ken Vandermark, gravado em Lisboa em 2011, a meio da tournée de estreia da formação. São três faixas de cerca de 20 minutos de duração, com vastas planícies desoladas onde, de vez em quando, se levantam avassaladoras tempestades eléctricas, mas onde também se encontram inesperados oásis de lirismo e serenidade, protagonizados por Vandermark.

Devin Hoff (baixo eléctrico) e Tim Daisy (bateria, um colaborador usual de Vandermark) tanto tecem texturas diáfanas como engrenam em vigorosos ritmos rock e funk. A electrónica de Christoff Kurzmann tem papel discreto, emitindo crepitações, estática e zumbidos, mas, quando a temperatura sobe, pode soar como um rádio de onda curta operado pelo Mafarrico.

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Jazz.pt review by Gonçalo Falcão

PrintMade to Break – Lacerba (CF 274)
Classificação: 4,5/5

Com quase trezentos CDs editados em 12 anos, a Clean Feed lança agora o seu primeiro LP. E porque o primeiro de alguma coisa é sempre um momento especial, trata-se do registo em Lisboa de um grupo inédito de Ken Vandermark, Made to Break, com Christoff Kurzmann, Devin Hoff e Tim Daisy. Foram três dias de concertos gravados por João Serigado, dos quais se seleccionaram os melhores minutos para prensar dois discos: o CD “Provoke”, já lançado, e agora o LP “Lacerba”.
A novidade no som é grande, sendo claramente um disco vandermarkiano. O grupo parece seguir as pisadas de Spaceways Inc., o grupo mais “funky” do saxofonista, mas as personalidades dos instrumentistas e a utilização de composições abertas fazem a música inclinar-se para direcções mais abstractas: se numa pintura é fácil apercebermo-nos da sua estrutura – pois ela apresenta-se inteira aos nossos olhos e identificamos padrões, áreas, formas de organização –, na música essa percepção é muito mais difícil, pois ela desenrola-se no tempo e nem sempre conseguimos perceber o sentido e a organização dos sons.   Vandermark tenta resolver este problema criando pontes de ligação com o ouvinte: no meio de uma enorme liberdade aparecem linhas de baixo, “grooves” que nos ajudam a simpatizar com a música, a entrar no tema e a construir pontos de contacto. Em suma, a arranjar elementos que reconheçamos e com os quais nos possamos envolver. O que ouvimos é a procura de um compositor para criar novos caminhos para o jazz, novas formas de o fazer funcionar, mantendo-o disfuncional.
A prensagem em vinil está boa e tem um bom som, mas a capa merecia (pelo menos) um cartão com maior gramagem. Quem compra discos de vinil fá-lo por três razões: porque acredita que o som do vinil é melhor que o do CD (o que nestes discos ao vivo é difícil de avaliar), porque valoriza o objecto (a dimensão visual e táctil do vinil faz com que este contentor para os sons seja muito mais afectuoso do que o CD) ou ambas.
Esta forma de usar a composição e a improvisação para estruturar a música faz parte de uma procura de futuros para o jazz. Esse sentimento revolucionário está patente em todos os aspectos do disco, desde o formato de reprodução aos títulos (Lacerba era a revista futurista italiana de Aldo Palazzeschi e Italo Tavolato, impressa a preto e vermelho).
O lado A, chamado “Vita Futurista”, é dedicado a DickRaaijmakers, compositor e dramaturgo holandês nascido em 1930, e o lado B, “Pursuit”, é uma homenagem ao escultor suíço Alberto Giacometti. Imperdível.
http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2013/04/06/made-break-lacerba-clean-feed/