Tag Archives: Things About

All About Jazz Italy review by Maurizio Comandini

Carlos Bica & Azul – Things About (CF 239)
4 stelle
Il bel trio Azul, guidato da Carlos Bica, arriva al quinto album, dopo oltre quindici anni dall’inizio della collaborazione de l contrabbassista portoghese con il chitarrista tedesco Frank Moebus e con il batterista americano Jim Black. Forse il segreto di questo perfetto amalgama sta proprio nella dilatazione dei tempi e nella capacità di lasciare passare per il giusto tempo fra una collaborazione e l’altra. Non c’è spazio per la routine, il lirismo dei brani è alimentato dalla passione e dall’intelligenza, la capacità di scambiarsi ruolo all’interno del trio è ormai proverbiale. Il chitarrista Frank Moebus è preciso e puntuale, con un suono che irradia luce e splendore. Il suo fraseggio è sempre ben meditato, spesso angolare e sofisticato, privo di esagerazioni che in questo contesto sarebbero deleterie. La batteria nervosa e intelligente di Jim Black è ormai una garanzia che si dilata dai progetti a proprio nome per alimentare anche altri progetti ben selezionati.

Il contrabbasso di Carlos Bica è presente ed elegante, con un suono legnoso e carico di sapori antichi, un perfetto padrone di casa che lascia spazio ai propri ospiti intervenendo quando la situazione lo richiede, senza mai farsi prendere la mano dalla voglia del proscenio.
http://italia.allaboutjazz.com/php/article.php?id=8168

Musica Jazz review by Boddi

CARLOS BICA & AZUL – Things About (CF 239)
Il longevo trio Azul conferma di possedere una cifra composita, nella quale si individuano punti fermi ed elementi ricorrenti, frutto di coerenza stilistica. Primo fra tutti, un portato melodico ricco di riferimenti: il retroterra della tradizione portoghese; l’inclina-zione per la canzone popolare che aveva caratterizzato la ricerca di Charlie Haden (certamente con la Liberation Music Orchestra ma anche nell’incontro del 1990 con lo specialista di chitarra portoghese Carlos Paredes, documentato in «Dialogues»); una cantabilità che a tratti può richiamare il miglior pop. Lo stile asciutto e pregnante di Bica ben si sposa con il variegato spettro di approcci e dinamiche di Black. Frequentatore anche della scena olandese, il tedesco Möbus evidenzia una modernità di fraseggio e una scelta timbrica che in qualche misura si colloca in un’area contigua ai vari Frisell, Rosenwinkel e Shepik. Il trio opera come un collettivo compatto, con un’interazione calibrata, efficace e attenta agli spazi e al respiro delle esecuzioni, raggiungendo gli esiti più felici nel brano conclusivo.

Jazz.pt review by José Pessoa

Carlos Bica & Azul – Things About (CF 239)
****
Carlos Bica é um dos músicos portugueses com mais destaque internacional. A sua obra evidencia referências de múltiplos universos, da música erudita à folk, ao rock e a outras formas de improvisação. No seu percurso encontra-se uma sólida formação na Academia dos Amadores de Música, nos Cursos de Música do Estoril e na Escola Superior de Música de Würzburg, na Alemanha. Foi também membro de diversas orquestras de câmara.

O contrabaixista tem centrado muito a sua actividade em Berlim, cidade que nos últimos anos se converteu numa vibrante capital para a arte contemporânea e que o tem acolhido muito bem. Aí partilhou encontros com muitos músicos e projectos, como Diz, Tuomi, Bica-Klammer-Kalima, Essencia, Tango Toy. Entre eles, o trio Azul é, talvez, um dos melhores exemplos da qualidade excepcional da sua música. O trio é uma formação difícil, pois, caso não haja uma grande interacção colaborativa, expõem-se todas as fragilidades do conjunto. Não é esse o caso!

Jim Black é talvez a arma mais poderosa deste grupo. Tem um estilo imprevisível de percussão, cheio de humor e de ironia, que tanto pode ser frenético como doce no rogaçar das peles ou no arranhar dos pratos com as baquetas ou por meio de um arco. O efeito final é que importa, de interacção com os outros, de provocação e de captação do interesse dos ouvintes para as construções. A colaboração de Black com o preciosismo e o sentimento do contrabaixo de Bica torna-se simbiótica.

Pelo seu lado, Möbus é um guitarrista que dedica uma enorme atenção à harmonia, à melodia e às texturas, que exercita em improvisações bem estruturadas e desprovidas de quaisquer pirotecnias desnecessárias. Mesmo quando improvisa dá-nos a ilusão de que continua apenas a acompanhar os outros dois músicos.

Um das faixas de que mais gosto, em total contradança com a toada mais lenta do resto do álbum, é a enérgica “Deixa Pra Lá”. Ainda assim, esta edição não consegue ultrapassar o nível superlativo do último CD que publicou, há cinco anos (“Believer”), que será talvez o melhor trabalho do Azul.

Jazz.pt review by Paulo Barbosa

Carlos Bica & Azul – Things About (CF 239)
****1/2
Se Carlos Bica é um músico que há muito se recusa a fazer aquilo que outros possam já ter feito, o trio Azul tem representado, não obstante o sucesso do seu trabalho a solo e com o grupo Matéria-Prima, o mais importante veículo de expressão da sua originalidade.

O Azul tem quase uma década e meia de existência, sendo esta apenas a sua quinta edição discográfica, o que, mesmo tendo em conta que Frank Mobus e Jim Black são líderes bastante activos e músicos frequentemente solicitados para variadíssimos outros projectos, parece espelhar a opção de Bica de colocar a qualidade à frente da quantidade. “Believer”, o álbum com o qual o grupo comemorou a sua primeira década de existência, foi aquele que mais persistentemente por aqui rodou em todo o aparelho que tivesse um raio laser ou que lesse mp3, mas essa é uma posição que parece agora ficar mais ou menos ameaçada com a edição deste “Things About”. É extremamente difícil comparar as virtudes destes dois álbuns, até porque eles parecem ser os dois CDs de Bica que mais características partilham entre si, nomeadamente no que ao trabalho de composição concerne, o que é o mesmo que, noutros termos, reconhecer que nos encontramos perante mais um álbum absolutamente imperdível.

A diferença mais perceptível entre este e os anteriores trabalhos do Azul é talvez a de que Frank Mobus, além de continuar a desempenhar um importante papel melódico e textural em toda a música tocada pelo trio – a função de “pássaro-tecelão”, como uma vez a ele me referi a propósito de “Believer” –, se revela em várias destas faixas como um impressionante improvisador no sentido mais “jazzístico” da expressão, o que poderá abonar a seu favor – e a favor do trio como um todo – perante alguns ouvidos mais conservadores.

O fantástico “Sonho de Uma Manhã de Outono” que encerra o disco, no qual Mobus, afastando-se do modelo “friselliano” que está na base da sua abordagem guitarrística, chega a soar como um improvisador tão fluido e emotivo quanto Jim Hall ou o melhor Pat Metheny, constitui um esclaredor “tira-teimas” em relação a esta matéria.

Jim Black é, como de costume, uma delícia do princípio ao fim do disco. Imprevisível como ninguém, Black consegue ser um dos mais musicais bateristas da actualidade, sempre alerta, sempre inventivo, sempre ao serviço da música e dos seus colegas.

Pouco haverá a acrescentar relativamente aos dotes de compositor de Carlos Bica. Os oito temas que escreveu para este novo álbum (dois deles em parceria com Mobus) falam por si. No entanto, o disco é enriquecido ainda pela presença daquilo que parece ser uma improvisação total (com autoria atribuída aos três músicos), de um breve solo de bateria que funciona como uma perfeita introdução ao enérgico “Deixa Pra Lá” e ainda de uma deliciosa “Canção Vazia”, que de vazia nada tem, cedida por João Paulo Esteves da Silva.

Enquanto contrabaixista, Bica continua a impressionar com a precisão e o peso emocional de cada nota, uma invejável afinação sempre que recorre ao arco, a constante recusa em tocar o óbvio e a total entrega a cada momento da música que pratica, uma série de características superiores e absolutamente distintivas de um músico que continua a defender da melhor forma a honra do jazz nacional.