Tag Archives: Torbjorn Zetterberg

Jazz.pt review by Bernardo Alavares

CF 293Kullhammar / Zetterberg / Aalberg – Basement Sessions Vol.2 (CF 293)
Depois de um primeiro volume de “Basement Sessions” muito bem conseguido, Kullhammar, Zetterberg e Aalberg presenteiam-nos com o segundo. O trio de saxofone escandinavo (Aalberg é norueguês e os seus colegas suecos) leva-nos para uma cave num clube de jazz que não perdeu a autenticidade apesar das novas leis antitabaco.

O trio é formado por músicos no limbo das promessas do jazz europeu, mas já com um pé a ascender ao inferno do reconhecimento unânime internacional. Jonas Kullhammar tem-se afirmado como um dos grandes saxofonistas da sua geração, com uma sonoridade a rasgar um espaço livre entre o bop e o free.

Por cá conhecido pelo seu duo com a trompetista Susana Santos Silva (editaram juntos “Almost Tomorrow”, igualmente pela Clean Feed), Torbjörn Zetterberg é um contrabaixista omnipresente na cena musical sueca. Lidera o seu próprio grupo, o Torbjörn Zetterberg Hot Five. O baterista e percussionista Espen Aalberg divide a sua actividade entre a música “erudita” / clássica, colaborando regularmente com inúmeras orquestras e ensembles, e o jazz, mostrando cada vez mais competências neste género.

À excepção da terceira faixa (composta pelo veterano do jazz sueco Bernt Rosengren), as composições são todas de Aalberg. Sentimos o hard bop no sopro de Kullhammar (qual Sonny Rollings que passou a puberdade nos anos 1990) e nestas composições que representam hoje, fidedignamente, a tradição do que foi e pode ser agora o jazz. Mas o som deste trio vai igualmente beber às procuras melódicas orientais de músicos como o recentemente falecido Yusef Lateef ou o (também quase sueco) Don Cherry.

Não deixando de ser e soar a uma Europa loura, estes músicos conseguem, sem qualquer pretensiosismo, deixar a ressoar a musicalidade das procuras identitárias afro-americanas em torno de um universalismo nos momentos mais conturbados da luta “black”. Parte da história do jazz é reescrita neste álbum obrigatório de 2014, confirmando de uma vez por todas a qualidade de três grandes: Kullhammar, Zetterberg e Aalberg.
http://www.jazz.pt/ponto-escuta/2014/02/08/kullhammar-zetterberg-aalberg-basement-sessions-vol2-clean-feed/

All About Jazz review by Glenn Astarita

CF 293Kullhammar – Aalberg – Zetterberg: Basement Sessions Vol. 2 (CF 293)
This is the second installment of the Swedish trio’s manifold and largely, hard-hitting Basement Sessions motif for Clean Feed Records. And while the artists incorporate a high level of experimentation, they intertwine old school jazz values into the big picture via structured compositions and free-flight improvisations amid an aggregation of contrasting hues, capacious soundscapes and more. From a trio standpoint, the musicians bring quite a bit to the forefront. They expand, contract and generate some blazing, red-zone like turbulence with a few sizzling, free-bop style workouts

Reedman Jonas Kullhammar uses the Hungarian clarinet-like instrument taragato on the opening track, “Moksha.” He projects an off-center soundstage with this single reed, woodwind instrument that has a plump and rather hollow resonance. But the artists shift the tide on a per-track basis. For instance on “Oort Cloud,” Kullhammar, performing on tenor sax, glides atop a jazz-waltz pulse with reverberating and singing notes, rooted with a bluesy swagger, leading to the band’s downpour of free form dialogues and accelerated by the rhythm section’s mounting force-field. However, the diverse mix is chock full of unanticipated surprises such as “Elvin’s Birthday Song,” highlighted by Kullhammar’s lighthearted and bouncy soprano sax phrasings, and steered by bassist Torbjörn Zetterberg who anchors the flow and pitch. Here, drummer Espen Aalberg expands the soundscape with sweeping fills and polyrhythmic beats.

The trio spirals into the stratosphere on the final track, “Moserobie Blues.” Kullhammar’s extended tenor sax solo, is perhaps a stylistic nod to John Coltrane’s awe inspiring hard bop solos, evidenced on Blue Trane (Blue Note Records, 1957), for example. Thus, Kullhammar’s rapidly paced and blistering harmonic progressions enact a whirlwind exposition atop the rhythm section’s whizzing pulse. Indeed, a high-caliber and multidimensional outing by this resourceful unit.
http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=46786#.UzFQO6h_suc

Jazz.pt review by Bernardo Álvares

CF 293Kullhammar / Zetterberg / Aalberg – Basement Sessions Vol.2 (CF 293)
Depois de um primeiro volume de “Basement Sessions” muito bem conseguido, Kullhammar, Zetterberg e Aalberg presenteiam-nos com o segundo. O trio de saxofone escandinavo (Aalberg é norueguês e os seus colegas suecos) leva-nos para uma cave num clube de jazz que não perdeu a autenticidade apesar das novas leis antitabaco.

O trio é formado por músicos no limbo das promessas do jazz europeu, mas já com um pé a ascender ao inferno do reconhecimento unânime internacional. Jonas Kullhammar tem-se afirmado como um dos grandes saxofonistas da sua geração, com uma sonoridade a rasgar um espaço livre entre o bop e o free.

Por cá conhecido pelo seu duo com a trompetista Susana Santos Silva (editaram juntos “Almost Tomorrow”, igualmente pela Clean Feed), Torbjörn Zetterberg é um contrabaixista omnipresente na cena musical sueca. Lidera o seu próprio grupo, o Torbjörn Zetterberg Hot Five. O baterista e percussionista Espen Aalberg divide a sua actividade entre a música “erudita” / clássica, colaborando regularmente com inúmeras orquestras e ensembles, e o jazz, mostrando cada vez mais competências neste género.

À excepção da terceira faixa (composta pelo veterano do jazz sueco Bernt Rosengren), as composições são todas de Aalberg. Sentimos o hard bop no sopro de Kullhammar (qual Sonny Rollings que passou a puberdade nos anos 1990) e nestas composições que representam hoje, fidedignamente, a tradição do que foi e pode ser agora o jazz. Mas o som deste trio vai igualmente beber às procuras melódicas orientais de músicos como o recentemente falecido Yusef Lateef ou o (também quase sueco) Don Cherry.

Não deixando de ser e soar a uma Europa loura, estes músicos conseguem, sem qualquer pretensiosismo, deixar a ressoar a musicalidade das procuras identitárias afro-americanas em torno de um universalismo nos momentos mais conturbados da luta “black”. Parte da história do jazz é reescrita neste álbum obrigatório de 2014, confirmando de uma vez por todas a qualidade de três grandes: Kullhammar, Zetterberg e Aalberg.
http://jazz.pt/ponto-escuta/2014/02/08/kullhammar-zetterberg-aalberg-basement-sessions-vol2-clean-feed/

Best of 2013 Jazz.PT

Melhores de 2013 – Jazz.PT
Aqui estão as escolhas da equipa jazz.pt relativas a mais um ano de música, em disco e ao vivo. São estas as nossas votações finais, bem como as listas individuais dos colaboradores que participaram nesta selecção do melhor que foi acontecendo em 12 meses repletos de bom jazz e boa improvisação. Boas festas e continuem a passar por estas páginas.

Melhores discos internacionais
CF 283WAYNE SHORTER QUARTET: “WITHOUT A NET” (BLUE NOTE)
Charles Lloyd / Jason Moran: “Hagar´s Song” (ECM)
São Paulo Undergound: “Beija Flors Velho e Sujo” (Cuneiform)
Matana Roberts: “Coin Coin: Chapter Two: Missisippi Moonchile” (Constellation)
Pascal Niggenkemper Vision7: “Lucky Prime” (Clean Feed)
Wadada Leo Smith & TUMO: “Occupy the World” (TUM)
CF 278Joe McPhee: “Sonic Elements” (Clean Feed)
Tim Berne’s Snakeoil: “Shadow Man” (ECM)
Nate Wooley: “Seven Storey Mountain III and IV” (Text)
Trespass Trio & Joe McPhee: “Human Encore” (Clean Feed)
Lotte Anker / Rodrigo Pinheiro / Hernâni Faustino: “Birthmark” (Clean Feed)

Melhores discos nacionais
CF 281RED TRIO: “REBENTO” (NOBUSINESS)
Rodrigo Amado Motion Trio & Jeb Bishop: “The Flame Alphabet” (Not Two)
Susana Santos Silva / Torbjörn Zetterberg: “Almost Tomorrow” (Clean Feed)
Luís Lopes Humanization 4tet: “Live in Madison” (Ayler Records)
CF 275Lama & Chris Speed: “Lamaçal” (Clean Feed)
Timespine: “Timespine” (Shhpuma)
Big Bold Back Bone: “Clouds Clues” (Wide Ear)
Joana Sá: “Elogio da Desordem” (Shhpuma)
João Hasselberg: “Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come in the Form You’re Expecting” (Sintoma Records)
Nelson Cascais Decateto: “A Evolução da Forma” (Sintoma Records)
João Firmino: “A Casa da Árvore” (Sintoma Records)
Ernesto Rodrigues / Ricardo Guerreiro / Christian Wolfarth: “All About Mimi” (Creative Sources)
João Paulo Esteves da Silva & Orquestra Jazz de Matosinhos: “Bela Senão Sem” (TOAP/OJM)
SHH 007Eduardo Raon: “On the Drive for Impulsive Actions” (Shhpuma)
Eitr: “Trees Have Cancer Too” (Mazagran)
Joana Sá / Luís José Martins: “Almost a Song” (Shhpuma)
Le Syndicat & Sektor 304: “Geometry of Chromium Skin” (Rotorelief)
Luís Vicente / Jari Marjamaki: “Alternate Translations” (MiMi Records)

Melhores reedições
KEITH JARRETT: “CONCERTS: BREGENZ/MUNCHEN” (ECM)

Melhores concertos
EVAN PARKER (JAZZ AO CENTRO – ENCONTROS INTERNACIONAIS DE JAZZ DE COIMBRA)
Peter Evans Octet (Jazz em Agosto)
The Thing XXL (Jazz em Agosto)
John Zorn Electric Masada (Jazz em Agosto)
Anthony Braxton Falling River Music Quartet (Jazz em Agosto)
Rodrigo Amado Motion Trio & Peter Evans (Teatro Maria Matos)
Zanussi 5 (Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra)
Hugo Antunes / Carlos “Zíngaro” / Miguel Mira (Espaço APAV & Cultura)
Elephant9 feat. Reine Fiske (Jazz em Agosto)

Melhores músicos ou grupos internacionais
Jason Moran, Okkyung Lee, John Zorn, Fire! Orchestra/Mats Gustafsson, Barry Guy New Orchestra, Burkhard Stangl, Wadada Leo Smith.

Melhores músicos ou grupos nacionais
Rodrigo Amado Motion Trio, Sei Miguel, Gabriel Ferrandini, Susana Santos Silva, Hugo Antunes, Clocks and Clouds, Rodrigo Pinheiro.

Acontecimento do ano
A polémica entrevista concedida por Rui Neves, programador do Jazz em Agosto, à Rua de Baixo, conduzida por Pedro Tavares, também colaborador da jazz.pt.

http://jazz.pt/artigos/2013/12/15/melhores-de-2013/

Top Discos Portugueses 2013 by Bodyspace

TOP DISCOS PORTUGUESES 2013
Já não há mais formas de o dizer: a música portuguesa está de boa saúde e recomenda-se. Muito para além da obrigatoriedade por quotas nas rádios, para além da discussão inútil da língua utilizada para verbalizar palavras, mesmo para além dos grandes holofotes mediátios, a música portuguesa tem sabido crescer, diversificar-se, ganhar identidade, exportar-se, percorrer as agendas de festivais europeus, andar de peito cheio mundo fora. A música portuguesa tem cada vez menos vergonha na cara; e ainda bem. Como é habitual, somamos o total das nossas vontades e elegemos os dez melhores discos portugueses do ano. São os seguintes. André Gomes

10. JP SIMÕES (FNAC Cultura)
JP Simões é uma personagem singular e resistente do panorama musical português. Por isso, cada vez mais, é um privilégio poder assistir aos seus concertos-conversa e à edição de mais um disco em nome próprio. Roma, o disco, não é inocente, começando pelo título… Roma como capital de um império desagregado, de uma velha Europa. Por outro lado, amor… JP Simões embarca numa narrativa recheada de ironia e sarcasmo, que coloca o povo português ao espelho. Ensina-nos a rirmo-nos de nós próprios, num Portugal desgraçado, “Rio-me”… “Rio-me de Janeiro”. Cruzamento do Atlântico que nunca é, nunca foi esquecido pelo músico, já que o disco vive desse diálogo permanente entre o fado e a música popular portuguesa, entre o jazz e a música popular brasileira, entre a valsa e o samba. Indubitavelmente o registo mais eclético: larga-se o formato cantautor, guitarra e voz, para uma sonoridade colectiva com direito, até, a coros e, quiçá, a dança. Saibamos reconhecer. Alexandra João Martins

9. IGUANAS (Cafetra Records)
Doce ao invés de nos dar na primeira audição algum jorrilho de clichés sonoros em torno das gracinhas dos títulos onde há “Kinky Lady” ou “Amo o Teu Rabo”, não, em boa hora evitam o caminho fácil de um funkzinho porno ou de um hip hop maroto, nem sequer mais Kimo Ameba (de onde são uma parte) há por aqui. Não há fuzz aqui, nem guitarras sujas de feedback. Aqui há batidas tão viciantes como inesperadas que urgem ser dançadas, entre camadas de uma absurda doçura etérea de melodias de pop electrónica, plenas de momentos cereja no topo do bolo que nos engorda a imaginação como uns The Russian Futurists perdidos na linha de Sintra. Rabos, gelados e “babes” em hinos estupefacientes para cyber(tardo)adolescentes e robots tarados, onde um diálogo de uma qualquer novela brasileira consegue tornar-se na canção de amor do ano. Nuno Leal

CF 2818. SUSANA SANTOS SILVA & TORBJORN ZETTERBERG (Clean Feed)
2013 foi o ano de Susana Santos Silva. A trompetista oriunda do Porto terá sido a figura mais presente do jazz português, estando envolvida em múltiplos projectos: com o seu trio Lama – e o convidado Chris Speed – editou Lamaçal (Clean Feed); em duo com Jorge Queijo gravou Songs from my Backyard (Wasser Bassin); integrada na Orquestra Jazz de Matosinhos participou no disco Bela Senão Sem (TOAP); desenvolveu um duo com a pianista Kaja Draksler; e continua a dinamizar a Associação Porta-Jazz. Mas foi em duo com o contrabaixista sueco Torbjorn Zetterberg que a trompetista editou o seu disco mais marcante, Almost Tomorrow. Combinando uma dimensão lírica com texturas rugosas, o trompete de Santos Silva estabeleceu um perfeito diálogo com o contrabaixo Zetterberg, numa parceria de sucesso abençoada pela improvisação. Nuno Catarino

7. CAPICUA (Edição Digital / Independente)
Com o single “Maria Capaz” já se suspeitava, com o álbum homónimo de 2012 já se percebia, mas 2013 confirmou de vez que Capicua é uma das grandes vozes autorais do Portugal de hoje. Fosse a reescrever e transformar “(A Casa da) Mariquinhas” num fado-rap para Gisela João, fosse a pegar em canções do álbum de estreia, despi-las à sua simplicidade acústica e demonstrar a solidez do seu esqueleto, ou ainda nos seis temas que compõem esta mixtape. Aqui serve-se de instrumentais de Kanye West e, com um toque do seu colaborador D-One, faz o que quer dessa matéria-prima. Demonstra uma versatilidade de registos, do mais combativo ao mais introspectivo, com uma capacidade microscópica para olhar para dentro de si e um olhar telescópico para o que a rodeia, sempre a primar por um malabarismo lírico. Capicua tem uma voz demasiado grande para se confinar a rótulos de sexo, idade, escolaridade ou proveniência. Esta merda é toda dela. Ana Patrícia Silva

6. TORTO (Lovers & Lollypops)
Já aqui o disse e nunca é demais reforçar: ao contrário de 90% da música instrumental que vinga no século XXI, os Torto não vivem de lugares comuns. A linguagem deles carrega o peso da emoção, mas não vive de crescendos, de caminhos rectilíneos em direcção ao clímax, nem de frases esculpidas a montanhas de distorção. Grande parte do disco vive até de um som calmo, limpo, em que bateria, baixo e guitarra tocam todas com um fim: o de dialogar. É neste diálogo, exposto e sentido, que encontramos a emoção. A coisa boa é que esta não é artificial nem provocada; é simplesmente natural e, bem vistas as coisas, dialoga também connosco. E sempre a dizer “está tudo bem, vai ficar tudo bem”. António Silva

5. NORBERTO LOBO & JOÃO LOBO (Mbari)
Para quem conhece Norberto Lobo apenas dos álbuns que precedem Mogul de Jade, a parceria com o baterista João do-mesmo-sobrenome-mas-é-mero-acaso poderá destoar ligeiramente. Porém, como se escreveu aqui no ano passado, há neste trabalho a quatro mãos indícios daquilo que já tinha sido deixado a descoberto na colaboração com Tigrala. É patente em Mogul de Jade uma suave vontade de libertação das canções – belíssimas todas elas – que Norberto Lobo tem vindo a oferecer ao seu público. O que gera um diferente tipo de beleza. O álbum contém os dois espíritos, mais em uníssono do que em dissonância, e acima de tudo maravilhosos pela sua subtileza. Continua a haver espaço para o que de mais familiar ficou do autor de Mudar de Bina em momentos como a brilhante “Musgo na Voz” (na qual a voz é do próprio) e a deslumbrante “Bragança” (com voz de Norberto, João, Crista Alfaiate e Mariana Ricardo). O reverso da moeda são os devaneios da “Canção do João” ou a breve inicial “Himmelstorm”. De notar, também, a distinta contenção da bateria ao longo de todo o disco. O equilíbrio encontrar-se-á na faixa que dá título ao álbum dedicado ao artista Michael Biberstein, tio de Norberto Lobo, autor das capas dos trabalhos anteriores e que morreu em Maio deste ano. Tiago Dias

4. OCTA PUSH (Senseless Records Portugal)
anda a precisar de muitas coisas. Uma delas era, sem sombra de dúvidas, um disco como Oito. Fresco, actual, vibrante, urgente. Uma volta ao mundo com vários cheiros, vários aromas, vários ritmos. Depois de um EP prometedor em 2010 (com selo da Optimus Discos), Oito cumpre tudo aquilo que se esperava dos Octa Push – e ainda mais. E de uma forma imprevisível; o kuduro já é só coisa do passado e o futuro é tudo o que interessa aos irmãos Dizzycutter e Mushug. A oferta é ampla e para todos os gostos; o menu de electrónicas é do mais variado que se possa imaginar e ainda há alguma coisa de África por aqui. Oito é, sem espaço para dúvidas, uma maravilha da modernidade portuguesa. Devíamos todos dar graças por termos uma dupla deste calibre a partilhar o mesmo espaço que nós. André Gome

3. THE GLOCKENWISE (Lovers & Lollypops)
Os putos perderam a cabeça e enconaram – pelo menos é isso que poderíamos pensar ao ouvir “Goodbye” e toda a sua ternura ao piano, ou ao constatar que o quarteto de Barcelos está cada vez mais pop na sua abordagem ao mundo mágico do rock n’ roll. Longe vão os tempos do Rock Sem Merdas, mas de qualquer das formas eles nunca precisaram de rótulos – nem os querem – para descarregar canções nos nossos ouvidos: Leeches contém em apenas vinte minutos algumas das melhores malhas que se fizeram por cá em 2013, embebidas num caldeirão punk rock e recauchutadas de forma a soarem o mais orelhudas possível (“Time To Go” e “Napoleon”, dois meros exemplos, ficam na cabeça durante dias e de lá não querem mais sair). Difícil segundo disco? Quem disse que isso era sempre assim? Paulo Cecílio

2. GISELA JOÃO (Valentim de Carvalho)
Ainda agora aqui chegou e já lhe tecem os maiores elogios e hipérboles imagináveis. Tudo com este disco, onde foi capaz de se afirmar sem escrever uma só palavra, apenas com aquilo que a sua voz, postura e interpretação são capazes de fazer. E a verdade é que este não é um fado qualquer. Veio de um sítio de onde o fado não costuma vir e conseguiu chegar a sítios onde o fado raramente chega. Gisela João nasceu em Barcelos, cresceu com o fado, os viras e os malhões, o techno e o trance. Longe dos estereótipos de fadista, soube construir uma voz e uma imagem com contaminações de influências díspares, mas com um carimbo só seu. E com isso conseguiu chegar aos ouvidos mais tradicionalistas mas também a pessoas que descartavam o fado por ser triste, antiquado ou aborrecido. Gisela João sabe pegar numa canção e dar-lhe a intensidade que ela merece, seja de vívida e alegre voz, com o peso da mágoa e da saudade, ou até de forma interventiva, com uma nova “(A Casa da) Mariquinhas” saída da caneta de Capicua. E é assustador pensar o quanto Gisela João poderá ainda crescer. Ana Patrícia Silva

1. ERMO (Optimus Discos)
Se o EP de estreia já augurava um futuro brilhante ao duo de Braga, Vem Por Aqui é apenas a confirmação de que António Costa e Bernardo Barbosa ocupam desde já um lugar muito especial na história da música que por cá se faz. Não só porque optaram por fugir ao cânone tradicional que dita que sem guitarras não se pode ter algo para dizer (um pouco como a história antiga de que bandas que não cantassem na língua-pátria não iriam nunca ter sucesso) como capturaram em meros vinte e sete minutos o zeitgeist da nação que perpetuamente sonha com o regresso de um qualquer encoberto que a retire da cova, impulsionados por amores literários e pelos cliques e paisagens de uma electrónica idiossincrática que gerou canções como “Pangloss”. Vamos por aqui, vamos. E para onde vamos? Que o futuro brilhante – o nosso, o deles – chegue depressa. Paulo Cecílio
http://bodyspace.net/artigos/239-top-discos-portugueses-2013/

JazzWrap best of 2013 list by Stephan moore

CF 287

Mary Halvorson: Ilusionary Sea
Jakob Bro: December Song
Mostly Other People Do The Killing: Slippery Rock!
Soren Gemmer: At First
Jason Moran/Charles Lloyd: Hagars Song
Cakewalk: Transfixed
Nicole Mitchell: Aquarius
Mikrokolektyw: Absent Minded
Nick Hempton: Odd Man Out
Wadada Leo Smith/Angelica Sanchez: Twine Forest
Kris Davis: Capricorn Climber
Fred Hersch/Benoit Delbecq: Funhouse
Zero Centigrade: Selce
Sava Marinkovic: Nowhere Near
Soweto Kinch: Legend Of Mike Smith
Luis Lopes: Live In Madison
Susana Santos Silva/Torbjorn Zetterberg: Almost Tomorrow
Soren Dahl Jeppesen: Pipe Dreams
Christian McBride: Out Here
http://jazzwrap.blogspot.pt/

Free Jazz review by Stef Gissels

CF 281Susana Santos Silva & Torbjorn Zetterberg – Almost Tomorrow (CF 281)
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The trumpet-bass duo is a format I like, as I have said before, the brass and the wood, the high and the low tones, both instruments able to resonate well in closed spaces, not requiring much volume, the intimacy of conversation without disruption … Paul Smoker and Dominic Duval, Jean-Luc Cappozzo and Joëlle Léandre, Itaru Oki and Benjamin Duboc, John Corbett and Nick Stephens.

And now we get Portuguese Susana Santos Silva, the trumpeter of Lama, and Swedish bassist Torbjörn Zetterberg, reviewed before on this blog with various Swedish bands, who met at a jazz festival in Portugal, then recorded this fully improvised session somewhere in the north of Sweden, in winter, with snow and cold outside, and the warmth of the music and the intimacy of closed space to come up with this riveting and moving dialogue.

Both musicians manage to find the perfect balance between strong musical character, pushing the envelope of sonic phrasing, with short bursts and extended techniques, yet alternating with more welcoming lyricism of the more traditional kind.

To give some examples : the beautiful “Notskalmusik” with long and yearning phrases, is followed by “Head Distortion Machine”, a very fit title for the abrasive arco and the growling trumpet, full of misery and unwilling submission.

The most beautiful pieces are “Columbus Arrival At Hajerdalen”, a long and deeply emotional improvisation emerging from Zetterberg’s arco, with Santos Silva playing some absolutely heartrending and moving phrases, capturing the mood and intro perfectly, and the title track, “Almost Tomorrow”, which has some references to Coleman’s “Lonely Woman”.

Other tracks are more experimental, like the short “Action Jan-Olov”, in which Santos Silva adds a dialogue on her own between muted and unmuted, with shifting embouchure, over stagnant staccato pizzis from Zetterberg, or “Flocos De Mel”, a longer more minimalist improvisation with sparse sounds creating an ominous and menacing atmosphere.

Highly recommended for fans of intimate avant-jazz dialogues.
http://www.freejazzblog.org/